quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Jovem atingida por bomba da PM paulista perde visão.

Brasil

Jovem atingida por bomba da PM paulista perde visão


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Abaixo a íntegra da nota:

Na noite de ontem, 31 de agosto de 2016, milhares de jovens saíram às ruas de diversas capitais para protestarem e expressar todo seu repúdio ao golpe parlamentar que destituiu a presidenta legítima, Dilma Rousseff, colocando em seu lugar o golpista e usurpador, Michel Temer.

O Levante Popular da Juventude esteve presente em diversas destas manifestações, somando-se ao coro Não ao Golpe, Fora Temer!

Praticamente todas as manifestações ocorreram fortes reações da polícia militar, que agiu de maneira desproporcional, violenta e brutal, reprimindo e agredindo os manifestantes. Em São Paulo, na esquina da rua Caio Prado com a rua da Consolação, mesmo lugar onde ocorreu o massacre de 13 de junho de 2013, a militante do Levante Popular da Juventude, Deborah Fabri, estudante da Universidade Federal do ABC (UFABC), foi atingida por um estilhaço de bomba no rosto, ferindo seu olho esquerdo.

Foto: Jornalistas Livres
Deborah foi hospitalizada e passa bem, perdeu a visão do olho esquerdo! Isso é inaceitável!

Prestamos toda nossa solidariedade à ela e seus familiares e afirmamos que não descansaremos até que os responsáveis sejam punidos e ela disponha de todo a assistência necessária.

Repudiamos veementemente a ação da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin. Exigimos apuração, identificação e punição dos responsáveis imediatamente.

Essa é a marca desse governo ilegítimo e desse golpe: violência, truculência e autoritarismo. Não toleram a democracia, a liberdade de expressão, a soberania popular. Querem nos tirar tudo, desde os nossos direitos à nossa voz: não permitiremos!

Michel Temer e seu governo não nos representa, muito menos irá nos intimidar. Tomaremos todas as medidas judiciais e políticas cabíveis. Lutaremos e resistiremos em todas as trincheiras!

Seguiremos nas ruas, na luta contra esse golpe! Convocamos todos e todas a ocuparem as ruas!

Fora Temer!


Do Portal Vermelho

Itamaraty convoca embaixadores do Equador e Venezuela.


Brasil

Itamaraty convoca embaixadores do Equador e Venezuela


Reuters
Desde que assumiu o ministério das Relações Exteriores, José Serra mudou o perfil da política externa nacional que saiu de promoção do diálogo, para promoção de conflitosDesde que assumiu o ministério das Relações Exteriores, José Serra mudou o perfil da política externa nacional que saiu de promoção do diálogo, para promoção de conflitos
De acordo com o portal Opera Mundi, o Itaramaty já convocou os representantes em Caracas e Quito e as mesmas providências devem ser tomadas em breve em La Paz.

Sobre a Venezuela, especificamente, o Itamaraty divulgou uma nota na noite de quarta-feira (31) em que afirma que “repudia os termos do Comunicado emitido pelo Governo venezuelano”, em que Caracas afirma que o “golpe de Estado parlamentar (...) perigosamente substituiu ilegitimamente a vontade popular de 54 milhões de brasileiros, violando a Constituição e alterando a democracia desse país irmão”.

Em outra nota, a chancelaria brasileira diz lamentar as “manifestações de incompreensão” da Bolívia, do Equador e de Cuba sobre o afastamento definitivo de Dilma Rousseff. Para o Itamaraty, esses países “reincidem em expressões equivocadas que ignoram os fundamentos de um Estado democrático de direito”.

Em seu Twitter, o presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou o impeachment de Dilma como “uma apologia ao abuso e à traição”. Evo Morales, por sua vez, também usou a rede social para condenar o “golpe parlamentar contra a democracia brasileira”.
 

Do Portal Vermelho, com informações da Opera Mundi

    Brasil Espanhol Podemos solicita à UE suspensão de relações com Brasil.

    Brasil

    Espanhol Podemos solicita à UE suspensão de relações com Brasil


    Miguel Urbán e Xabier Benito, eurodeputados do PodemosMiguel Urbán e Xabier Benito, eurodeputados do Podemos
    Em carta dirigida à representante das Relações Exteriores da União Europeia, Federica Mogherini, os deputados do Podemos Xabier Benito e Miguel Urbán, afirmam que a UE deve estabelecer que só reconhecerá a legitimidade do que houve no Brasil quando a vontade das urnas seja restabelecida. Eles escreveram que o atual governo instalado pelo golpe "carece de legitimidade democrática".

    Durante o processo do impedimento de Dilma, o grupo solicitou à UE que desse continuidade às negociações com o Mercosul mas sem a presença do Brasil.

    Urbán, é membro da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, e Benito, vice-presidente da Comissão de Relações com o Mercosul. Na carta, o Podemos afirma que qualquer relação política ou comercial da UE com o Brasil seria compreendida como a legitimação do golpe, daí pede o fim das relações do bloco com o país sul-americano.

    O Podemos ainda defende que, na negociação entre o bloco e o Mercosul, só participem governos que têm apoio dos cidadãos. O partido afirma também que é preciso denunciar a ilegitimidade do governo instalado pelo golpe ou de qualquer um que não tenha sido eleito democraticamente nas urnas.

    A direção da Comissão Europeia, dirigida pela direita da Europa e que tem interesses estratégicos, comerciais e políticos grandes em relação ao golpe de Estado no Brasil, fez ouvidos moucos aos pedidos dos deputados espanhóis.

    O governo ilegítimo já deu fortes sinais de que relaxará as negociações com o bloco europeu, em prejuízo dos interesses do povo brasileiro.


    Do Portal Vermelho, com agências

      Donetsk abre representação "diplomática" na República Tcheca.

      Mundo

      Donetsk abre representação "diplomática" na República Tcheca


      Bandeira da RPD hasteada no centro de Donetsk
      "É a primeira representação da RPD na União Europeia", ela disse, agregando que Donetsk e Ostrava são cidades irmãs, ligadas por laços tradicionais de amizade e cooperação. "É por isso que Ostrava foi escolhida para sediar a representação, não foi acidental. Vamos contribuir para aumentar os contatos entre a RPD, Ostrava e toda a República Tcheca. Nós também ajudaremos a promover laços direitos entre entidades jurídicas", afirmou Nella.

      A ativista, que também é presidente da organização não-governamental tcheca "Milícia Popular", disse que está segura de que a representação contribuirá para o estabelecimento e o desenvolvimento da cooperação internacional entre as duas cidades em relação às esferas econômicas, sociais, científicas e culturais.

      Ela agregou que a representação também organizará o envio de ajuda humanitária para a população da RPD.

      De acordo com Nella, a representação foi registrada na República Tcheca como uma organização não comercial, como um centro de representação. Uma das suas tarefas é obter o reconhecimento internacional da autoproclamada República Popular de Donetsk.

      Ao mesmo tempo, uma fonte no Ministério das Relações Exteriores disse para a Itar/TASS que essa organização não foi inscrita no Ministério e não tem status diplomático nem pode ser chefiada por um cônsul honorário.


      Do Portal Vermelho, com informações da Itar/TASS

      O golpe da mídia e a luta pela democratização da comunicação.


      Brasil

      O golpe da mídia e a luta pela democratização da comunicação


      Divulgação
        
      O aprofundamento da criminalização dos movimentos sociais, as denúncias seletivas de corrupção contra o PT e suas lideranças, e a criação de uma nova ameaça comunista na América Latina, representada pelos governos bolivarianos e pelo Foro de São Paulo, resultaram numa mistura explosiva que cindiu a sociedade e fez emergir dos subterrâneos as piores manifestações do fascismo que estavam adormecidas no país.

      Não, não há equivoco no substantivo utilizado para abrir este artigo. Doutrinação. A mídia hegemônica há muitos anos deixou de praticar jornalismo, de perseguir o objetivo de levar às pessoas informações isentas sobre acontecimentos relevantes. Ignorar isso é deixar de perceber a centralidade dos meios de comunicação no golpe. A mídia é o golpe. Sem ela o golpe não teria se consumado.
       
      Isso não significa, claro, que ela deu o golpe sozinha. Não. Contou com o parlamento vendido para os interesses privados que financiam as campanhas eleitorais e com o Poder Judiciário que foi alimentado e alimentou as notícias que gestaram o golpe. Sem a mídia, o Parlamento e o Poder Judiciário provavelmente não teriam conseguido derrubar Dilma.
       
      Este processo histórico só reforça a indispensabilidade da luta pela democratização dos meios de comunicação. É preciso enfrentar o desafio de ampliar a diversidade e a pluralidade da mídia de massas no Brasil, apesar do cenário totalmente adverso. Encontrar brechas e buscar apoios internacionais para impedir ataques à liberdade de expressão e, quem sabe, conquistar pequenos avanços, mesmo no Brasil pós-golpe. Isso não significa ter ilusões de que podemos ter no curto prazo mudanças estruturais – já não as conquistamos nos últimos 13 anos – mas sim reconhecer que não se pode abandonar esta agenda e esperar o golpe passar.
       
      Até porque o golpe está em curso, não se concluiu. Ele começou com os ataques sem trégua ao governo, passou pelo processo de impeachment e continua, agora, com a agenda regressiva que visa retirar direitos sociais e trabalhistas, vender o patrimônio público, acabar com o protagonismo soberano do país nas relações internacionais e submeter, mais uma vez, a nação aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos.
       
      Em 01 de setembro um novo ciclo se abre com o golpe. Nele, não duvidem, vamos ver um comportamento inverso da mídia. Potencializar pautas positivas para o governo e esconder as negativas. Também vamos vivenciar o aumento da repressão policial, a perseguição política e ideológica e o cerceamento à liberdade de expressão, que já davam as caras desde 14 de maio de 2016, quando Michel Temer assumiu interinamente a presidência.
       
      Por isso, defender a comunicação pública, denunciar os ataques à liberdade de expressão, criar uma ampla campanha para garantir a sustentabilidade da mídia alternativa, impedir retrocessos de direitos conquistados no Marco Civil da Internet, denunciar o vigilantismo na rede, estreitar a agenda da democratização da comunicação com a pauta dos movimentos culturais, denunciar as violações de direitos humanos na mídia, e ampliar o debate sobre estes temas com a sociedade são iniciativas que precisam ser vistas como parte da luta contra o próprio golpe. 
       
      Se não dá pelas urnas, vamos de golpe
       
      Apesar da campanha midiática em torno do mensalão, Lula ganhou as eleições em 2006. Em 2010, a prisão de integrantes do governo de Lula e a aliança da mídia com o judiciário para amplificar a repercussão do julgamento da Ação Penal 470 não foram sufientes para impedir a eleição de Dilma Rousseff. Em 2014, a crise em torno da Petrobras e o início da Operação Lava Jato também não garantiram a derrota de Dilma.
       
      O povo deu quatro vitórias eleitorais sucessivas ao PT. O que explica isso? Três fatores foram decisivos para garantir as eleições de Lula e Dilma: as políticas públicas de transferência de renda, geração de emprego e inclusão social que tiraram 40 milhões de brasileiros da miséria; bons resultados da economia nacional; e a ação da mídia alternativa e das redes sociais na construção de uma outra narrativa dos acontecimentos.
       
      A complexidade que os tempos de novas tecnologias da informação trazem para a política são enormes. A começar pela constatação de que o poder da mídia não é absoluto, mas ainda é muito grande e capaz de influenciar cultural, social e politicamente a sociedade.
       
      Ao longo dos últimos anos, surgiram dezenas, centenas de blogs, sites e veículos de comunicação contra-hegemônicos que desmascararam farsas, que denunciaram a manipulação da mídia, que realizaram uma verdadeira guerrilha informativa para disputar a narrativa dos acontecimentos em curso no país.
       
      Assim, ao perder a quarta eleição consecutiva, a elite conservadora percebeu que investir em mais quatro anos de campanha opocionista sistemática poderia ser muito arriscado. Principalmente depois do fracasso da iniciativa de selar a vitória de Aécio, no dia 23 de outubro de 2014, quando a revista Veja publicou antecipadamente sua edição dominical com a capa que trazia Lula e Dilma e a manchete: Eles sabiam de tudo. 
       
      Usada como panfleto para tentar garantir a vitória de Aécio Neves numa disputa bastante apertada, a capa da Veja chegou a ser impressa separadamente do miolo e encartada em jornais. Depois de três derrotas eleitorais consecutivas, a elite econômica e política do país (e seus aliados internacionais) estavam certos que voltariam à conduzir o Brasil.
       
      Se surpreenderam ao ver que não. Na verdade amargaram a quarta derrota seguida.
       
      As estratégias de propaganda da mídia
       
      A mídia brasileira é porta-voz dos interesses da elite econômica e política do país desde sempre. Ela nasceu desta elite, é parte dela. Imaginar que estes veículos (Globo, Bandeirantes, SBT, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja, Isto É & Cia) olhariam desinteressados, melhor dizendo, noticiariam de forma desinteressada a mudança no governo e na orientação política do país é de uma ingenuidade inominável. Infelizmente, essa ingenuidade foi hegemônica nos governos de Lula e Dilma. Acreditaram, ou quiserem crer, que seria possível implementar um novo projeto político de desenvolvimento nacional, de relações internacionais baseadas na soberania e na integração, de inclusão social e promoção de direitos em aliança com a mídia. Deu no que deu.
       
      Para desconstruir o governo e a esquerda, os meios de comunicação seguiram um roteiro que se encaixa perfeitamente nos princípios da proganda política criada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolph Hitler: Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele; Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem; Transladar todos os males sociais a este inimigo; Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor; Transformar tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir; Fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’; Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas; Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido; Ocultar toda a informação que não seja conveniente; Buscar convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.
       
      Utilizando-se destes expedientes, a mídia foi alimentando um discurso de ódio contra o PT e contra tudo que se relaciona com ele, levando pessoas a levantarem cartazes desejando o retorno da ditadura militar, ou afirmando que o problema da ditadura foi não ter matado Dilma e todos os comunistas.
       
      O PT é o responsável por toda a corrupção e pela crise econômica. Não um dos, o único. Ignoram-se processos políticos anteriores, crise econômica internacional, problemas ambientais, a culpa de tudo é do PT. Além disso, o PT passou a ser sinônimo de coisas ruins e personificou ameaças e “inimigos” externos. Um espectro ronda a América Latina, o espectro do bolivarianismo. E o representante do bolivarianismo no Brasil é o PT. Ninguém sabe muito bem o que é isso, só sabem que não é bom. A associação da imagem de Lula e Dilma com Chávez, sempre tratado como ditador e autoritário foi explorada inúmeras vezes.
       
      Apesar de terem perdido a eleição em 26 de outubro, o caminho para o golpe estava pavimentado. Assim, a narrativa do golpe midiático/parlamentar/jurídico que teve seu desfecho neste dia 31 de agosto de 2016 começou a ser construída exatamente no dia 27 de outubro de 2014.
       
      O que se seguiu depois da reeleição de Dilma foi o escancaramento de uma mídia partidária e militando em favor do impeachment de forma calculada. Melhor perder um pouco da credibilidade momentaneamente e interromper o ciclo político iniciado por Lula agora. Depois se vê como cicatrizar as feridas. Algo como: vão-se os aneis mas ficam os dedos.
       
      A postura da Rede Globo na convocação dos atos pelo impeachment foi realmente vergonhosa. A família brasileira espontâneamente nas ruas clamando pelo fim da corrupção. Enquanto os atos organizados pelos movimentos sociais não eram compostos do povo, mas de militantes petistas pagos para defender o governo.
       
      Cada palavra e imagem eram colocadas e construídas de forma cirúrgica para criminalizar Dilma e o PT. A transmissão ao vivo da sessão do dia 17 de abril da Câmara dos Deputados, pela Rede Globo, tinha um duplo sentido: mobilizar a sociedade contra o PT e a Dilma e mostrar que eles estavam de olho no voto. Contudo, o baixo nível do parlamento brasileiro acabou apenas fazendo com que parte considerável das pessoas que estavam defendendo o impeachment, passassem a ter vergonha deste processo.
       
      Na votação do Senado, portanto, já ciente de que a maioria da sociedade estava contra o impeachment e temendo dar um tiro no próprio pé, a Rede Globo decidiu ignorar a sessão de segunda-feira, quando a presidenta foi pessoalmente se defender perante os senadores. Tampouco transmitiu a sessão de terça ou a de quarta-feira. 
       
      A mídia mostra o que lhe convém e esconde o que não lhe convém. 
       
      Agora, empossado de forma definitiva para concluir o mandato de Dilma, Michel Temer já anuncia que não tolerará ser chamado de golpista.
       
      O golpe mostra sua face mais torpe, a da mordaça. Cala boca já morreu, e por mais que tentem ressucitar esta página infeliz na nossa história haverá resistência.

      O golpe em imagens e manchetes


















       


      Fonte: Blog Janela Sobre a Palavra

        Angela Albino: não vamos abrir mão da esperança de um Brasil melhor.

        Brasil

        Angela Albino: não vamos abrir mão da esperança de um Brasil melhor


         

        Para ser implementado, programa de Temer requer repressão.

        Brasil

        Para ser implementado, programa de Temer requer repressão


        foto: Midia Ninja
        Truculência da policia contra manifestantes (31/08/2016)Truculência da policia contra manifestantes (31/08/2016)
        Amaral considera que, embora “ilegítimo” e ameaçado por denúncias, o governo de Michel Temer na conjuntura imediatamente pós-impeachment interessa ao sistema, pelo menos até o fim de 2016. “O regime resiste a depor Temer porque agora é importante a posse dele, já que se houver alteração, hoje, terá que haver novas eleições. A partir de 1° de janeiro de 2017, essa substituição passa a ser pelo Congresso. Aí esse Congresso que está aí elege quem quiser.”

        Para o professor e cientista político, as elites que tomaram o poder têm diversos instrumentos para inviabilizar o processo político democrático nos próximos anos. “Eles permitirão eleições em 2018, se não houver risco de um Lula se eleger”, diz. “E até lá, eles podem adotar muitas medidas constitucionais. Eles podem, por exemplo, reduzir os poderes do presidente da República, tornando irrelevante a eleição de qualquer um.”

        Para ele, diante desse quadro, o movimento popular tem que se comprometer com a unidade e, no caso dos partidos, adotar uma política de frente, unindo o movimento sindical e os movimentos populares de resistência ao governo.

        Leia trechos da entrevista
        Programa do governo Temer
        Minha expectativa é de um país em conflito. O programa a ser anunciado e completado após o impeachment é recessivo, antinacional, antipopular, que jamais seria aprovado num processo eleitoral, e que não tem condições de ser levado a cabo do processo democrático clássico. Ele vai requerer repressão do movimento sindical em geral, em particular dos petroleiros, e dos movimentos do campo. Vai exigir restrições às liberdades. Estamos saindo de um conflito político em que a sociedade ficou visivelmente dividida. Celso Amorim já falou que o impeachment de Collor uniu a nação, e este divide a nação. Dividiu profundamente entre o avanço e o atraso, e o atraso não se implanta sem resistência.

        Movimento de resistência
        O movimento popular tem dois compromissos: da unidade e o compromisso que os partidos devem adotar de uma política de frente, com o sindicalismo e o movimento popular de resistência ao governo. Não é uma simples oposição ao governo. É uma resistência a um governo ilegal e acima de tudo ilegítimo. Não foi apenas um golpe parlamentar, não se trata apenas de tirar Dilma e colocar Temer. O que se está fazendo é tirar a política aprovada no processo eleitoral para implantar outras, sem consulta popular. O que se está dizendo é que, contrariando os fundamentos da democracia representativa, não há mais necessidade de eleição para se chegar ao poder. Isso é inaceitável.

        Vemos o comportamento do governo de São Paulo (de Geraldo Alckmin, do PSDB). Vemos as notícias de repressão às manifestações contra o golpe. Todas as aparências vão ser quebradas. Não há mais necessidade de aparências.

        Ditadura constitucional
        Não há na nossa história nenhum precedente de um governo ilegítimo implantando uma política antissocial num processo democrático. O último precedente em política de atraso, de política recessiva, foi o governo Castelo Branco com a política de Campos e Bulhões (referência a Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, e Roberto Campos, ministro do Planejamento do primeiro presidente do regime militar instaurado em 1964).

        Ali era uma ditadura franca. Não vamos para uma ditadura franca, porque até aqui não há a participação das Forças Armadas. Mas iremos para uma “ditadura constitucional”. O Congresso, de joelhos, que foi ator do golpe, alimentará o Executivo de todas as medidas repressivas de que necessitar. Começando pela aprovação da PEC (241), que vai suspender os investimentos em educação, saúde, saneamento, por 20 anos. Isso significa determinar o atraso deste país por muitos anos. Se parar o investimento em educação, ciência e tecnologia, quando retomar isso você não retoma o ponto em que havia parado. A nossa distância no plano da pesquisa e da ciência vai ficar irrecuperável. Isso é um crime. É impossível você destruir a Petrobras e privatizar o pré-sal sem reação popular e dos sindicatos.

        Trabalhadores

        Até aqui o governo vem anunciando medidas, mas estava se resguardando para aplicá-las após o impeachment. Não houve nessa crise um ambiente para um levante sindical. Estamos num processo sindical ainda politicamente atrasado. Mas, em todo o mundo, inclusive no Brasil, os trabalhadores se levantam quando seus direitos deixam de ser somente ameaçados mas começam a ser cassados. O movimento sindical brasileiro vai transitar rapidamente da defesa econômica para a reivindicação política. É inevitável. Estamos na recessão, é natural que a primeira preocupação das lideranças sindicais seja conservar o emprego, até o momento em que começar a haver perda concreta de direitos.

        Mandato de Temer
        O mandato de Temer depende da medida em que for necessário ao sistema ou não atrapalhar o sistema. A partir de agora, o Congresso Nacional, as assembleias legislativas, as câmaras municipais podem destituir qualquer presidente, governador, prefeito, sem justificativa constitucional. Temer é vulnerável aí. Ele sabe que o nome dele circula nas delações premiadas. Isso enfraquece a figura de qualquer presidente.

        O regime resiste a depor Temer porque agora ele é importante, a posse é importante, já que se houver alteração, hoje, terá que haver novas eleições. A partir de 1° de janeiro de 2017, essa substituição passa a ser pelo Congresso. Aí esse Congresso que está aí elege quem quiser.

        Temer não é um sujeito do processo histórico, não é um ator, é um mamulengo. Está aí em função de uma contingência e uma necessidade. Então ele passa a estar nas mãos do Congresso. E está também nas mãos do inefável Gilmar Mendes. Tramita no TSE processo instaurado a pedido do PSDB, pedindo a cassação da chapa encabeçada por Dilma. Se essa chapa for cassada, ele vai cassado também. Além do mais, esse processo, do meu ponto de vista, não se encerra em 2018. Sérgio Mota e Fernando Henrique anunciavam 20 anos de social-democracia. Esse sempre foi o sonho da direita. Ela nunca tomou o poder pelo voto. Em 1954, tomou com o suicídio do Getúlio, e tentou manter-se com a tentativa de impedir a posse de Juscelino. Em 1961, com a tentativa de impedir a posse do Jango.

        Eleições de 2018
        Eles permitirão eleições se não houver risco de um Lula se eleger. Ou seja, se não houver risco de alternância do poder. E até lá, têm muitas medidas constitucionais. Eles podem, por exemplo, reduzir os poderes do presidente da República, tornando irrelevante a eleição de qualquer um. Podem transferir para o Congresso a nomeação do ministro da Fazenda, do Planejamento, presidente do Banco Central, para terem o controle do que interessa na economia, e sem risco.

        No meio disso, para se precaver, no que for possível, tentarão destruir o Lula. Destruir o Lula como imagem, como símbolo, até destruí-lo como político, com essas tentativas de processá-lo para ver se até 2018 conseguem uma condenação que o afaste do processo eleitoral. Isso é um jogo tão evidente, as cartas estão tão claramente postas na mesa que eu não entendo que possa haver qualquer dúvida.