quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Empreiteiro diz ao TSE: Doação de Dilma saiu do mesmo caixa que Aécio

Brasil

Empreiteiro diz ao TSE: Doação de Dilma saiu do mesmo caixa que Aécio

  
De acordo com matéria publicada pelo Estadão desta quinta-feira (14), Azevedo depôs no dia 19 de setembro e ao explicar sobre como eram feitas as doações  disse que foi feito repasse da mesma espécia a outros partidos e políticos, entre os quais o PSDB. Segundo ele, todas as doações eleitorais saíam do mesmo caixa da empresa e, em relação ao PSDB, contou que chegou a encontrar com Oswaldo, da Codemig.

“Fui procurado pelo senhor Oswaldo Borges da Costa, também, que era…trabalhava não sei em que função lá, com o candidato (Aécio Neves). E, basicamente, essas demandas (de doação) vinham através deles”, afirmou o empreiteiro que tinha entre seus contatos telefônicos o númeor de Oswaldo, identificado pela Polícia Federal em trocas de mensagens no celular.

Azevedo é o segundo empreiteiro a afirmar em depoimento ao TSE, na ação movida pelos tucanos após a derrota nas urnas, que a doação de campanha feitas ao PSDB vem do mesmo caixa. O empreiteiro da UTC e delator da Lava Jato Ricardo Pessoa afirmou que as doações eleitorais, em 2014, vieram do mesmo caixa da empresa e não tinham relação com o esquema de corrupção na Petrobras.

Em outros vazamentos de deleções publicados pela grande midia, Oswaldo já foi citado por outros delatores como “operador” ou “tesoureiro informal” de Aécio. Delações do empreiteiro José Adelmário Pinheiro Filho, Leo Pinheiro, da OAS, também o apontam como intermediário de propinas na construção da Cidade Administrativa, obra mais cara do governo Aécio – que custou R$ 1,2 bilhão.

O PSDB, por meio de nota, disse que Borges da Costa atuou na campanha de 2014, mas somente “apoiando o comitê financeiro”. A Andrade Gutierrez foi uma das principaís doadoras de campanha eleitorais. Em 2014, segundo o TSE, foram R$ 20 milhões para a campanha de Aécio e R$ 21 milhões para a de Dilma.

Azevedo confirmou ainda que as trocas de mensagens encontrada no seu celular durante o período eleitoral (agosto de 2014), se referiam à doação para a campanha tucana e que “coincidentemente”, segundo o executivo, foi feita no mesmo dia em que a empresa fez um repasse para a campanha da chapa Dilma-Temer.

Em uma das mensagens, doa dia 27 de agosto de 2014, Oswaldo pergunta a Azevedo se era possível “falar na quinta às 19h em Sp”. Dois dias depois, Otavio responde: “Já foi feito”. Oswaldo agradece: “Obrigado Otavio. Com vc funciona!!!rsrs”.

No mesmo dia, Azevedo confirmou doação para a campanha de Dilma Rousseff, por meio do chefe de gabinete do então tesoureiro Edinho Silva. Mas somente a conversa do petista provocou investigação até agora.

Azevedo, no entanto, tentou justificar que apesar de ter doado quantias próximas para as campanhas de Dilma e Aécio, em relação as doações para o tucano não havia nenhuma vinculação com obras ou projetos da empresa.

“Nós não tínhamos nenhum projeto com o candidato Aécio, nenhum projeto, nenhuma…nada em execução, nada, nada, nada. Não tínhamos compromisso, em 2014, pelo menos que eu saiba, nenhum compromisso que levasse a uma doação…é…vinculada a obra, a projeto, não existiu isso. Não existiu isso”, afirmou Azevedo.

Em uma declaração contraditória, Azevedo disse que houve um acerto de propinas equivalente a 1% de todos os contratos da Andrade com o governo federal e também com o PMDB e com o PT referente às obras da usina de Belo Monte. Mas quando questionado se as doações eleitorais de 2014 foram descontadas desse acordo da propina ele negou e disse que apenas uma doação para a campanha de Dilma, em julho de 2014, “certamente” veio dos acordos de propina.

“Não havia – não havia e não há; não houve, não houve – em nenhuma momento uma contabilidade paralela para dizer: esse tanto de dinheiro aqui é do…é…é….é….é..é…é…é do PT Berzoini, esse aqui é do PT Palocci, esse aqui é do PT Dilma…não é assim… do PT Vaccari…não. É do PT. É do PT. Então, é…não…não existia, não há como você, dentro do caixa, nem…nem…nem que esse dinheiro aqui é do PT e esse aqui é do PSDB”, disse o confuso Azevedo, segundo o Estadão.

Depois acrescentou: “Agora, o único que eu…que eu…o…o único assim que certamente veio de origem dessa…dessa…dessa, vamos dizer, desse…desses pedidos, desses acordos firmados com o Berzoini e com o Palocci, assim, carac…bem caracterizado, é esse um milhão”.


Do Portal Vermelho, com informações do Estadão

Paulo Pimenta: Cunha solto e judiciário, mídia e panelas em silêncio

Brasil

Paulo Pimenta: Cunha solto e judiciário, mídia e panelas em silêncio 


Agência Câmara
Sem foro privilegiado, a expectativa era de que Cunha não escaparia das mãos da Justiça, que se autoproclama a salvadora da pátria nestes tempos estranhos em que vivemos.  Sem foro privilegiado, a expectativa era de que Cunha não escaparia das mãos da Justiça, que se autoproclama a salvadora da pátria nestes tempos estranhos em que vivemos.  
Acusado de possuir milhões em contas na Suíça, ter recebido propina da construção de navios-sonda na Petrobras, propinas nas obras do Porto Maravilha (RJ), ter chantageado o Grupo Schahin e ter recebido R$45 milhões para alterar uma Medida Provisória, Cunha deflagrou o processo de impeachment contra Dilma Rousseff como última tentativa de tentar se salvar.

Em um dos casos, a Procuradoria-Geral da República chegou a pedir de Cunha a devolução de R$300 milhões aos cofres públicos como ressarcimento pelos esquemas de corrupção.

Mesmo diante de tantas acusações, escândalos e utilização do cargo de Presidente da Câmara para fins pessoais, o Supremo Tribunal Federal (STF) lavou as mãos e só decidiu pelo seu afastamento no dia 5 de maio, depois da fatídica sessão do dia 17 de abril, a sessão do golpe.

Por outro lado, mesmo em meio a tantas manobras e recursos para evitar sua cassação, a Câmara dos Deputados no dia 12 de setembro cassou o mandato de Cunha.

Sem foro privilegiado, a expectativa era de que Cunha não escaparia das mãos da Justiça, que se autoproclama a salvadora da pátria nestes tempos estranhos em que vivemos. Mas não foi o que aconteceu! Cunha vai bem, obrigado. Chega a ser até curioso, em vez de tormento, a cassação do seu mandato, somada ao “não vem ao caso da Justiça”, tem lhe rendido tranquilidade. Os milhões continuam na Suíça, e, como se fosse um célebre escritor, está confinado preparando seu best-seller. E as panelas em silêncio diante de tantas provas, mas vibrando a qualquer factoide midiático ou “convicção” contra o Partido dos Trabalhadores, contra Lula, etc.

Chegamos a acreditar que algo aconteceria com Eduardo Cunha. Talvez, por algum lapso, é possível que tenhamos nos esquecido de quanto o Sistema de Justiça no Brasil é seletivo, assim como a mídia.

O combate à corrupção no país é recortado por um traço ideológico. Que digam Aécios, Serras, Cunhas e Jucás¸ esse último o pai do “acordão nacional” para tirar a Dilma, botar o Michel Temer e “estancar a sangria”. Quem não lembra?

O tempo mostra que Romero Jucá sabia muito bem o que dizia. De fato, o governo Temer conseguiu “estancar a sangria” e proteger os corruptos. Esse foi o acordo: o golpe em troca da impunidade de Cunha e de muitos do PMDB e do PSDB. 
 

*É jornalista e deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul

Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente a opinião do portal Vermelho 

    Flávio Dino ao GGN: Juros são imorais e ameaçam o equilíbrio fiscal

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    Flávio Dino ao GGN: Juros são imorais e ameaçam o equilíbrio fiscal


    Reprodução
      
    Para o Flávio Dino, a proposta "é um grave erro porque parte de uma perspectiva errada". A Proposta de Emenda à Constituição 241 limita o teto de gastos públicos do governo federal para os próximos 20 anos. Flávio Dino considera a medida como um retrocesso aos direitos sociais estabelecidos na Constituição.

    O governador do Maranhão destaca que não há dúvidas de que é preciso ter responsabilidade fiscal, entretanto o estabelecimento de parâmetros absolutos não significa melhora da eficiência das despesas públicas.

    "Eu acho muito interessante quando se fala do endividamento da relação dívida-PIB no Brasil e não se olha a média dos países da OCDE, acima do que nós temos. Não quero dizer com isso que é bom o endividamento crescer. Não, não é bom, mas, por outro lado você tem endividamentos mais altos que [esses países] conseguem [manter. Além disso], numa conjuntura dessas, em que muitos países praticam até juros negativos, juros contracíclicos, como é que nós vamos praticar juros crescentes que é o que nós praticamos hoje? Isso é uma anomalia que tem que ser enfrentada", questiona.



    O ex-juiz federal acusa, também, que o discurso de combate à corrupção e da necessidade de um forte ajuste fiscal é montado para justificar a aplicação do aumento da taxas juros, refreando o crescimento do setor produtivo nacional.

    "Nós somos o único país do planeta que pratica hoje juros reais crescentes e isso é imoral, objetivamente, é imoral. É isso que ameaça o equilíbrio fiscal". O gasto do Brasil com juros da dívida pública é considerado hoje o 3ª maior do mundo, e quando o governo aumenta a taxa de juros, alegando a necessidade de controlar a inflação, aumenta diretamente os juros pagos da dívida pública que, em 2015, foi calculado em R$ 209 bilhões. 


    Do Portal Vermelho, com informações de Jornal GGN

    Gleisi Hoffmann: Temer, o governo não é a casa da gente!

    Brasil

    Gleisi Hoffmann: Temer, o governo não é a casa da gente! 


      
    Eu me pergunto, o que aconteceria se todos os brasileiros resolvessem poupar, economizar a maior parte do dinheiro que recebem e não comprassem mais nada? Será que a economia iria crescer? Numa simples avaliação, grande parte das lojas e empresas não teriam para quem vender. Em consequência, os trabalhadores seriam demitidos, deixariam de receber os salários e não teriam mais dinheiro para comprar nada.

    Além disso, os que conseguissem economizar seu dinheiro ficariam com medo de gastá-lo, temendo por algo inesperado. Com isso, a economia iria caindo cada vez mais, as empresas deixariam de pagar impostos, já que não teriam vendido nada, e a arrecadação do governo despencaria.

    Mas qual seria o destino do dinheiro poupado inicialmente? Possivelmente, aqui no Brasil iria para os títulos públicos, na dívida do governo, onde já está concentrada grande parte da nossa riqueza financeira. E aí, o que o governo deve fazer com esse recurso que ele recebeu via compra de títulos públicos? Guardar, pagar apenas para os ricos, para garantir o retorno daqueles que apenas querem ganhar dinheiro à custa dos juros? Ou deve ele começar a gastar com serviços e compras governamentais que movimentem novamente a economia real?

    Isso é o que acontece em qualquer país. Existe um único agente, para quem todos correm, justamente quando não tem outra alternativa. Se o governo, que consegue se financiar, mesmo quando todos estão sem emprego e sem perspectiva de qualquer mudança por parte dos agentes privados, resolver também parar com seus estímulos à economia real, reduzir seus gastos, não haverá qualquer esperança de retomada do crescimento.

    O governo Temer, com seus tecnocratas, tenta vender a ideia de que se deixar de gastar, necessariamente, o setor privado irá aumentar os seus investimentos. Qual empresário em sã consciência ampliaria sua produção ou investiria para aumentar sua capacidade de produzir em uma economia em que não há qualquer expectativa de vender o que for produzido?

    O que está escondido na defesa da PEC 241 é o sobrenome do "mercado" que o governo golpista quer agradar. O mercado é o mercado financeiro, que ganha com uma espiral financeira e para quem a economia real não tem qualquer relevância. Enquanto a lógica for essa, não há expectativa de retomada do crescimento e da arrecadação. Só o governo pode reverter essa tendência, uma vez que a maioria das famílias brasileiras está acuada e com medo de gastar o pouco que tem.

    O governo não é uma família, a capacidade do governo gastar não depende da sua capacidade de encontrar um emprego, nem de vender o que produz. Ao contrário, ele é responsável por todas as famílias e precisa assumir as suas responsabilidades. Somente o governo pode recuperar aos poucos o crescimento econômico e fazer girar a espiral positiva da economia real, aquela que inspira os empresários a contratar trabalhadores e a recuperar a renda das famílias brasileiras!

    Outra questão. Esses que deram o golpe para acabar com a educação, a saúde e a assistência social no país vivem criticando o aumento da dívida pública. Eu também pergunto, se o governo deixar de gastar, ele vai reduzir essa dívida? Não. Aliás, foi exatamente isso o que aconteceu no ano passado. Quanto mais o governo cortou seus gastos, menos recursos ele disponibilizou para o setor privado. Portanto, menos gastos são realizados pelo setor privado e menos impostos são arrecadados, gerando um círculo vicioso. É bom lembrar que o déficit aumentou, mesmo com o governo fazendo um ajuste fiscal de mais de R$ 80 bilhões.

    E se ele gastar mais, ele vai poder ajudar a reduzir a dívida? Sim. O gasto do governo é receita do setor privado, logo, parte do que o governo gasta volta para ele mesmo na forma de impostos. E parte é gasta gerando mais receitas para os outros e mais impostos para o governo. Dessa forma o PIB cresce e a relação dívida PIB volta a se ajustar.

    Que a verdade seja dita. Tanto o aumento do déficit quanto o da dívida não foram resultado da elevação dos gastos, mas da queda da arrecadação e do aumento do pagamento de juros, que dobrou de 2014 para 2015.

    Mais austeridade só irá agravar ainda mais a nossa situação fiscal! 


    *É senadora pelo PT do Paraná e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado

    Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente a opinião do portal Vermelho 

    Temer chama FHC e Gilmar Mendes para "almoço entre amigos" no Jaburu

    Brasil

    Temer chama FHC e Gilmar Mendes para "almoço entre amigos" no Jaburu

    Beto Barata/PR
      
    Apesar da tramitação do processo de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, no TSE, cujo presidente é Gilmar Mendes, o ministro Geddel classificou a reunião como um "encontro de amigos" que só tratou de amenidades. "Não foi um encontro administrativo", disse.

    "Foi uma conversa de velhos amigos. Foi uma conversa geral, uma avaliação de momento. O pessoal está otimista com o bom resultado da eleição, da aprovação da PEC [que limita gastos públicos] para refazer a situação muito difícil do país", completou Gilmar Mendes.

    A proximidade de Temer com Gilmar chama a atenção por conta dos interesses que giram em torno da ação que tramita no TSE, pois se o ministro do Supremo decidir colocar colocar em pauta ainda em 2016 a ação que tramita no TSE, o Brasil poderia ter eleições diretas. Empurrando a questão para 2017, o Congresso elegeria um presidente de forma indireta.

    O convite ao FHC vem depois que o tucano dizer em entrevista que o governo de Temer era uma "pinguela". "Defino o governo atual como uma pinguela, que é algo precário e pequeno, mas, se ela quebrar, você cai no rio e é melhor ir para o outro lado. O outro lado é a eleição de 2018", disse FHC.
     

    Do Portal Vermelho, com informações de agências

    Secretário da Educação de Temer é condenado por improbidade


    Brasil 

    Secretário da Educação de Temer é condenado por improbidade


      
    A decisão, que ainda cabe recurso, ocorre em razão de omissão em fornecer documentos necessários a processo investigatório do Ministério Público sobre a contratação e execução de obra na Escola Estadual Ernesto Pinto Filho, que fica na Zona Norte de Manaus, quando Rossieli ocupava o cargo de secretário de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas.

    Rossieli, nomeado secretário de Educação Básica do MEC pelo ministro Mendonça Filho, terá que pagar multa de R$ 150 mil, que corresponde a dez vezes o valor de sua remuneração recebida em março de 2015 - que, de acordo com o Portal da Transparência do Governo do Estado, foi de R$15 mil.

    Em razão da omissão injustificada, o Ministério Público requereu a condenação de Rossieli Soares por improbidade administrativa. A justiça acatou o pedido e a juíza da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Etelvina Lobo Braga, condenou o ex-secretário a pagar a multa.

    "Das duas uma: ou predomina a desorganização naquela instituição, ou eles entendem que têm um poder maior, acima dos princípios que regem a administração pública", censurou a promotora de Justiça Wandete Oliveira Netto, que impetrou a ação.

    Além dele, foram condenados por improbidade três servidores, sendo que uma pagará multa de 15 vezes a remuneração percebida em outubro de 2014, outra servidora multa de três vezes a remuneração percebida em junho de 2015 e um servidor pagará multa de oito vezes a remuneração recebida em junho de 2015. Os valores serão corrigidos pela taxa básica de juros, a taxa Selic.
     

    Fonte: Brasil 247

      Mauro Santayana: As convicções e o fascismo

      Brasil

      Mauro Santayana: As convicções e o fascismo


        
      Por ter forte convicção de que os judeus, os comunistas, os ciganos, os homossexuais eram seres sub-humanos, os nazistas praticaram atrocidades como guardar em vidros de formol milhares de pênis e cérebros arrancados dos corpos de prisioneiros, esquartejar pessoas­ para fazer sabão, adubar repolhos com cinzas de crematório ou recortar e curtir pedaços de pele humana para colecionar tatuagens e fazer móveis e abajures, em um processo que começou justamente nos tribunais, com a gestação da jurisprudência racista e assassina das Leis de Nuremberg.

      De tanta mentira, distorção e hipocrisia impostas cotidianamente à população, nos últimos quatro anos, o Brasil tem se transformado em um país em que a realidade está sendo substituída por fantásticos paradigmas, absorvidos e disseminados como verdades, que adquirem rapidamente a condição de inabalável convicção na cabeça e nos corações de quem os adota, a priori, emocionalmente, sem checar a veracidade. Senão, vejamos: muitíssimas pessoas têm convicção de que o PT quebrou o país. Como têm convicção de que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi um sucesso econômico. Certo? Errado.

      Números oficiais do Banco Mundial provam no governo ­Fernando Henrique Cardoso, com relação ao de Itamar Franco, o PIB recuou de US$ 534 bilhões para US$ 504 bilhões e a renda per capita, de US$ 3.426 para US$ 2.810. Nos governos do PT, esses mesmo indicadores aumentaram de US$ 504 bilhões para US$ 2,4 trilhões e de US$ 2.810 para US$ 11.208, respectivamente, entre 2002 e 2014. Assim como o salário mínimo subiu também mais de 300% em moeda norte-americana nesse período.

      A queda atual da economia é um ponto fora de curva que irá se recuperar, mais cedo do que tarde, se não forem adotadas medidas recessivas, que mandem, mais uma vez, a vaca para o brejo. A maioria das pessoas – incluídos ministros do atual governo que exageram os problemas para vender a sua “competência” e seus projetos ligados a interesses privados – tem convicção de que o Brasil está endividado até o pescoço. Certo? Errado.
      Nona economia do mundo em 2016 – éramos a 14ª em 2002 –, o Brasil ocupa, apenas, o 40º lugar entre os países mais endividados. Temos uma dívida pública bruta com relação ao PIB (66%) mais baixa que a de 2002 (80%). Menor que a dos Estados Unidos (104%), Zona do Euro (90%), Japão (220%), Alemanha (71%), Inglaterra (89%), França (96%), Itália (132%), Canadá (91%). Além de possuirmos mais reservas internacionais (mais de US$ 370 bilhões) do que qualquer uma dessas nações. E de não estar devendo um centavo para o Fundo Monetário Internacional – pelo menos até a redação deste texto, dia em que o ministro da Fazenda se reunia com... o FMI. Uma grande pilantragem midiática tenta justificar, entre outras coisas, o absurdo teto de despesas públicas proposto pelo atual governo, os juros pornográficos pagos aos bancos e a privatização e entrega de empresas estatais brasileiras a estrangeiros.

      Tripé do capital

      Muitas pessoas também aparentam ter desenvolvido a convicção de que o PT é um partido contrário às Forças Armadas, bolivariano e comunista. Certo? Errado.

      O PT sempre trabalhou com o tripé capital estatal, capital privado nacional e capital estrangeiro. Apoiou as maiores empresas privadas do país, e não apenas as de controle brasileiro, expandindo o crédito subsidiado do BNDES, aumentando a oferta de crédito na economia, melhorando a situação do varejo e da indústria, fomentando vendas com linhas especiais de financiamento, e fortalecendo o agronegócio com bilhões de reais ao Plano Safra, duplicando a colheita de grãos depois que chegou ao poder, sem atrapalhar o mercado financeiro, que teve forte expansão após 2002.

      Na área bélica, prestigiou o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, lançando a Estratégia Nacional de Defesa, e bancando o maior programa de rearmamento das Forças Armadas na história brasileira. Nem nos governos militares ousou-se investir, ao mesmo tempo, em tantos projetos estratégicos como se fez nos últimos anos.

      Da mesma forma, muitíssimas pessoas têm convicção, nos dias de hoje, de que o PT é o partido mais corrupto do Brasil. Certo? Errado.

      Em ranking publicado pelo Movimento de Combate à ­Corrupção Eleitoral em 2012 – que, estranhamente, parou de publicar rankings anuais por partido depois disso –, o PT aparece apenas em nono lugar, em uma lista encabeçada pelo DEM. Na lista de 50 políticos investigados na Lava Jato que estão com processos no STF, cuja maioria pertence ao PP, só seis nomes são do PT, como o eram apenas 20 do total de 252 candidatos impugnados por serem ficha-suja nas eleições de 2014.

      Dados que não mudam em nada o fato de que o discurso anticorrupção só existe na proporção que ocorre porque serve como bandeira, desde o início, à direita e à extrema-direita. A esquerda, que costuma cair com facilidade nessa esparrela moral dos imorais, precisa tratar de outros temas, sem deixar – prudentemente – de colocar suas barbas de molho. Por exemplo, o futuro do projeto nacional-desenvolvimentista brasileiro, com foco nas áreas social, científica, da educação, da indústria bélica, naval e de petróleo e de infraestrutura.

      Ou a defesa da democracia, do Estado de direito e da soberania nacional, em tempos de risco de inserção subalterna do país em um processo de globalização que não deixa outras opções: ou se fortalece, ou capitula. Tudo isso, no contexto do urgente estabelecimento de uma aliança que permita manter a estabilidade da República e evitar a vitória da antipolítica – e a ascensão­ do fascismo – em 2018.

      Proporções franciscanas

      É nesse país ridículo, mal informado, rasteiramente manipulado por segmentos da mídia mendazes e deturpadores, que alguns procuradores do Ministério Público Federal vieram a público, há alguns dias, para dizer que têm “convicção” de que o ex-presidente Lula é o chefe supremo da corrupção nacional. Que ele, que nunca teve contas no exterior, como Eduardo Cunha ou Paulo Maluf, teria recebido “virtualmente”, para o padrão de consumo de nossa impoluta elite, acostumada a apartamentos em Paris, Miami e Higienópolis, um modesto apartamento de 215 metros quadrados – no qual nunca dormiu e do qual não sem tem notícia de escritura em seu nome. Além de um sitiozinho, mambembe até mesmo para o gosto de nossa pseudoclasse média paneleira, que também não está em seu nome. E de uma ajuda para a guarda de seus documentos presidenciais – de inestimável valor histórico nacional.

      Tudo isso apresentado como a parte do leão, do “comandante”, de um suposto esquema de propina, o qual o mesmo MPF, mesmo admitindo não ter provas cabais, afirma ter movimentado a extraordinária soma de R$ 42 bilhões em desvios da Petrobras­ (antes eram R$ 6 bilhões, segundo “impecável auditoria” da “honestíssima” consultoria norte-americana Pricewaterhouse).

      Cinismo por cinismo, poderíamos dizer que, na hipótese, difícil de provar, que tivesse recebido os alegados R$ 3,7 milhões em propina pelos quais foi acusado, ante um negócio de mais de R$ 40 bilhões, Lula seria o mais “ingênuo” ou um dos mais “modestos” políticos brasileiros, considerando-se a quantidade de empregos, negócios, projetos, obras e programas que ajudou a proporcionar à economia nacional.

      E o PT, que teria pedido miseráveis R$ 5 milhões para pagar contas atrasadas devidas a publicitários, em um contrato de aproximadamente US$ 1 bilhão para construção de duas plataformas de petróleo pela empresa do senhor Eike Batista – um sujeito que resolveu depor “espontaneamente”, depois de ter recebido bilhões do BNDES, durante anos, em apoio às suas empresas falidas –, teria sido, diante das franciscanas proporções da solicitação, de uma tacanhice digna de fazer corar outras legendas e personagens do espectro político nacional.

      Ninguém está aqui para santificar o Partido dos Trabalhadores­ ou o senhor Lula, que, se tiver cometido algum crime, deve purgá-lo, na mesma proporção de seus erros. O que nos deixa indignados e fora do sério, trabalhando na área em que trabalhamos, é a desfaçatez, a “caradurice”, a hipocrisia institucionalizada com que estão tratando a verdade, a maior vítima desse atual surto de “convicções”.

      Não nos venham com estórias da Carochinha e mirabolantes apresentações de Powerpoint que pelo exagero, ausência de lógica e verossimilhança – como mostram matérias e editoriais dos jornais estrangeiros – vão ridicularizar o Ministério Público e o J­udiciário brasileiros junto à opinião pública internacional. Correndo o risco, seus “convictos” acusadores, de verem o tiro sair pela culatra, transformando Lula em herói, se for impedido de concorrer à Presidência da República. Ou em mártir, perante o mundo – caso alguma coisa ocorra a ele, eventualmente, na prisão.
       

      *Mauro Santayana é jornalista. Foi secretário-executivo da Comissão de Estudos Constitucionais e Adido Cultural do Brasil em Roma. 
      Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente a opinião do Vermelho