quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Maria Gadu, Paulo Coelho, Samantha Schmutz e outros rechaçam golpe.

Brasil

Maria Gadu, Paulo Coelho, Samantha Schmutz e outros rechaçam golpe


Reprodução
  
A atriz Juliana Alves, afirmou: "Viva a hipocrisia! Viva o oportunismo! Viva a injustiça. Viva a covardia. Viva a estupidez humana! Golpe".

O escritor Paulo Coelho comentou: "Terminado o julgamento, começa nos bastidores a briga entre o mau ganhador (Temer) e o mau perdedor (Aecio). Quem viver, verá.

O apresentador Erick Krominski, ex-CQC, disse: "Este ano vamos às urnas com a triste consciência de que o voto não vale tanto assim".

O ator Pedro Nercessian escreveu: "Enquanto houver saliva a cidade estará armada. Gritarei fora Temer".

"Rasguemos nosso titulo de eleitor pois ele já não serve mais pra nada. Fora Temer. Teve golpe e vai ter luta", afirmou a atriz e comediante Samantha Schmutz.

A atriz Cinara Leal parafraseou a canção de Cazuza para expressar dua indignação: "A burguesia fede a burguesia quer ficar rica enquanto houver burguesia não vai haver poesia. Vergonha. A luta continua. Fora Temer".

A cantora Maria Gadu sintetizou: "Luto. Luta. Democracia".

"Aos 61 ratos golpistas, meu mais profundo desprezo. Seus nomes mancharão para sempre a história do Brasil. A luta continua: FORA TEMER", disse o ator Johnny Massaro. 

Haroldo Lima: Golpe, fim e começo.

Brasil

Haroldo Lima: Golpe, fim e começo


Foto: Instituto Lula
  
Iniciou-se um período de grandes transformações sociais: o Brasil saiu do mapa da fome da ONU, mais de 30 milhões de brasileiros ascenderam a um padrão de vida minimamente digno.

Isto foi feito sem que as estruturas de poder no país fossem alteradas. Os ricos, especialmente os banqueiros, continuaram ganhando uma enormidade. Mas, turbulências econômicas cresceram, por conta da crise que desde 2008 assola o capitalismo, e que aqui se abateu com força a partir de 2014. As revelações dos métodos espúrios existentes entre grandes grupos econômicos privados, o capital público e setores políticos, e sobretudo o combate a esse sistema corrupto, fizeram estremecer os alicerces dos que sentiam estar perdendo poder com a ascensão de camadas sociais.

A isso tudo se agregam as debilidades, hesitações e erros do governo, leniente em tomar medidas de recuperação da indústria, em dialogar com aliados, em criar expedientes para dinamizar a economia, em democratizar meios de comunicação, em falar mais para o povo sobre a dimensão dos problemas e em convocá-los para a busca de soluções.

A insatisfação das elites brasileiras crescia. A perspectiva de mudar a situação a seu favor através de eleições não era visível. Seus partidos já tinham perdido quatro eleições presidenciais sucessivas. Lula, o líder maior dessas forças populares, apesar de toda a campanha difamatória que contra ele se faz, continua aparecendo como o preferido para a eleição de 2018. A saída, para elas, através da democracia, parecia não existir. Então, dane-se a democracia. E vire-se o jogo do jeito que der.

Em outras oportunidades, aqui no Brasil, e em diversos países sul-americanos, a saída era clara: com o respaldo norte-americano, articulavam-se os militares, formados nas escolas de guerra dos Estados Unidos, onde aprendiam que reforma agrária, urbana, educacional, direitos humanos, de minorias, sindicatos, intelectuais, padres avançados, tudo isso, era comunismo, que deveria ser barrado em função da “segurança nacional”. Na continuidade, tanque na rua, Constituição rasgada, Constituição outorgada, o golpe clássico.

Agora as coisas são diferentes. O mundo mudou, e muito. Rasgar Constituição ou outorgar uma outra é muito difícil. O golpe clássico – tanque na rua – está ultrapassado. É necessário modernizá-lo.

O rumo da modernização golpista já tinha sido indicado em 2012 no Paraguai, quando o Congresso votou um impeachment do presidente progressista Lugo e este foi substituído pelo seu vice, um direitista, o Federico Franco. Tudo foi feito com tal “legalidade”, que o próprio Lugo chancelou de certa forma aquele golpe.

Repetir a dose no Brasil era mais complexo. Mas a urdidura foi toda feita. Uma frente parlamentar-policial-judiciária-midiática foi montada. Tomava algumas posições simpáticas, como um combate à corrupção, de forma seletiva, mas bem camuflada, parecendo uma coisa séria e não facciosa. E partiu-se à cata de um pretexto a ser caracterizado como “crime de responsabilidade”, capaz de legalizar o golpe. Os prazos, os ritos, as aparências, tudo seria respeitado. Mas a decisão já estava tomada. Tirar Dilma e, com isto, encerrar a experiência de “desenvolvimento com inclusão social” no Brasil.

E assim a democracia foi sacrificada. O partido que há trinta anos, pelo caminho das eleições, não conseguiu chegar na Presidência, agora, sem eleições, chegou fácil.

Mas o golpe é, por um lado, um fim; por outro, um começo. Fim de uma era de bonança para o povo, que vive de salário mínimo, de previdência pública, do SUS, e que estava vendo filho em universidade, gostando de viajar de avião e de comprar carro. E começo de uma nova fase de entreguismo, de privatizações e de arrocho, nos salários, nos direitos, na cultura, nas representações políticas. Seria o prevalecimento do negociado sobre o legislado, do aniquilamento da CLT, da elevação da idade para a aposentadoria, do fim da política de reajuste do salário mínimo.

Concluído o golpe, o governo de Michel Temer tomou posse incontinenti. E as fotos divulgadas das suas reuniões mostram, pelo que revelam, outro escândalo, um governo só de homens, e só de brancos. Seria um governo misógino-racista, com aversão às mulheres e aos negros?

Se a experiência golpista do Paraguai foi a inspiração primeira desse golpe de 2016 no Brasil, as diferenças das situações dos dois países são muitas. Lá, o Lugo saiu derrotado mas dizendo que se “submetia”. Aqui, a Dilma, saiu derrotada, mas aclamada e, coração valente, denunciando o golpe. Depois, a realidade política e social do Brasil é bem diferente da paraguaia.

A massa humana que enxergou o caminho da libertação não abrirá mão de recolocar-se em marcha e desbravar novos caminhos.

Imediatamente desafios estão postos. É muito provável que o governo enverede pelo caminho da repressão às manifestações. Nosso povo reagirá. A ilegitimidade do governo é a sua marca indelével. E nosso povo não tem o mau costume de aceitar governos ilegítimos.

Amplos setores, entidades e partidos, como o PCdoB, já vinham levantando a ideia de irmos a uma eleição direta para presidente da República, antecipando-se as eleições de 2018. Os mecanismos para se viabilizar essa antecipação deveriam ser buscados, a exemplo do plebiscito que se levantava.

A eleição direta para presidente não se efetivou. Sua convocação, com direitos políticos assegurados, poderia nos levar ao reencontro com a democracia e a legitimidade do poder seria restaurada.


*Haroldo Lima é engenheiro, consultor na área de petróleo, ex-deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. É membro da Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

    PT divulga nota para denunciar “as duas faces” do golpe contra Dilma.

    Brasil

    PT divulga nota para denunciar “as duas faces” do golpe contra Dilma 


    Agência Brasil
    A bancada do PT na Câmara e Senado acompanharam Dilma em seu pronunciamento após o resultado do julgamento. A bancada do PT na Câmara e Senado acompanharam Dilma em seu pronunciamento após o resultado do julgamento. 
    A nota, assinada pelo líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), destaca ainda que “o usurpador que por força das distorções do processo golpista é guindado à Presidência da República passa a usufruir de imunidade processual em meio a uma série de denúncias que não poderão ser devidamente apuradas.”

    Leia a íntegra da nota:

    Nós, da bancada do PT na Câmara dos Deputados, manifestamos neste momento nossa profunda indignação com o golpe parlamentar que, sem qualquer fundamento, removeu da Presidência da República a presidenta eleita e legítima Dilma Rousseff, escolhida para o cargo por mais de 54,4 milhões de brasileiros e brasileiras.

    Coerentes com este sentimento que irmana todos os democratas do Brasil, violados no direito de eleger diretamente que ocupa a Presidência da República, recusamo-nos a participar da farsa que empossa como presidente o interino golpista.

    A defesa da presidenta Dilma, exercida por seus advogados e por ela mesma com altivez e competência, expressa com nitidez ímpar a inexistência de justificativas constitucionais para a retirada de seu mandato. Nestes termos, reiteramos nossa convicção de que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe de Estado, ultraje à Constituição e ofensa aos direitos políticos de todos os cidadãos e cidadãs.

    Terá havido, na babel das argumentações inconvincentes, quem tenha aludido ao "conjunto da obra", à suposta ingovernabilidade instalada, para justificar o afastamento da presidenta. Ao mesmo tempo que refutamos taxativamente tal argumentação, que carece de sentido e legalidade num regime presidencialista como o nosso — em que a chefe de Governo é também a chefe de Estado, e em que, diferentemente do parlamentarismo, uma eventual falta de apoio parlamentar à Presidência não constitui razão para seu afastamento político —, reafirmamos que transformamos a vida do povo brasileiro para melhor nos últimos 13 anos.

    Nos governos Dilma e Lula, invertemos prioridades e possibilitamos o acesso a milhões de brasileiros a direitos que lhes foram historicamente negados. Por meio de um projeto que promoveu distribuição de renda, acesso à educação, à moradia, à atenção médica e social, e de um programa que conciliou medidas de desenvolvimento econômico com a ampliação de oportunidades, enfrentamos as desigualdades sociais e regionais, conseguimos tirar o Brasil do mapa da fome e assegurar um crescente processo de equalização social em todo o País.

    Ressaltamos que o agravamento dos impactos da crise econômica mundial em âmbito doméstico se deu em função de uma verdadeira sabotagem ao segundo governo da presidenta Dilma, processo que teve como protagonista o Congresso Nacional.

    Cabe fazer reconhecimento e a condenação da traição. Como Dilma lembrou no Senado, a chapa composta com Michel Temer buscava reunir o apoio popular, confirmado pelos votos recebidos por ela em outubro de 2014, e o parlamentar, por meio de uma aliança com um, até então, centro democrático representado pela figura do vice-presidente. O objetivo era assegurar a governabilidade e a estabilidade no âmbito do Congresso, no torto modelo político que prevalece no Brasil.

    Desde a vitória de Dilma nas urnas, antes mesmo da posse em 1° de Janeiro de 2015, seu governo passou a ser sistematicamente boicotado no Congresso, seja pela falta de encaminhamento de medidas propostas para a correção do desequilíbrio fiscal, seja pela votação de pautas que agravavam o quadro econômico. Esse boicote ocorreu mesmo quando a articulação política do governo foi exercida pelo vice-presidente da República.
    Na verdade, a deslealdade dos oportunistas e o ressentimento dos derrotados nas eleições de 2014 engendraram com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e notório corrupto, a desestabilização política da presidenta eleita para, ao fim, desencadear o golpe parlamentar que hoje teve desfecho.

    A Bancada do PT denuncia a ilegitimidade do governo usurpador que se instala. É um governo ilegítimo que retira o direito dos cidadãos brasileiros de escolherem diretamente quem vai ocupar a Presidência da República e que, mesmo antes da consumação do golpe, em sua interinidade, enviou propostas de conteúdo entreguista, privatista e de notável ataque aos direitos do povo brasileiro. O golpe tem duas faces, uma institucional e outra que busca implementar o programa derrotado nas urnas em 2014, cuja estrutura central era a retirada de direitos trabalhistas e a destruição da proteção social.

    O usurpador que por força das distorções do processo golpista é guindado à Presidência da República passa a usufruir de imunidade processual em meio a uma série de denúncias que não poderão ser devidamente apuradas. Violam-se assim todas as recentes conquistas da atual legislação eleitoral brasileira e, mais que isso, os anseios da cidadania por uma representação política respeitável.

    Considerando todos esses fatos e a circunstância trágica que marca neste momento a jovem democracia brasileira, que há apenas três décadas emergiu de uma ditadura militar para ser agora abatida em sua tentativa de consolidação, conclamamos a sociedade brasileira a seguir na luta pelo restabelecimento da soberania do voto popular que devolva ao Brasil um governo legítimo. Só a luta do povo garantirá a reconciliação do governo brasileiro com sua legitimidade política, para que não se perca o legado das lutas democráticas que tantas conquistas trouxeram à população brasileira no início deste milênio.

    Brasília, 31 de agosto de 2016
    Afonso Florence (PT-BA), líder da Bancada do partido na Câmara dos Deputados 
     

      Funcionários temem desemprego com privatização de estatais de energia.

      Brasil

      Funcionários temem desemprego com privatização de estatais de energia 
      Agência Câmara
      Os trabalhadores, que passaram anos estudando para entrar nas empresas, com a desestatização, podem ficar desempregados. Os trabalhadores, que passaram anos estudando para entrar nas empresas, com a desestatização, podem ficar desempregados. 
      “Os trabalhadores passaram anos estudando para entrar nessas empresas e, de repente, com o processo de desestatização, eles se veem desempregados”, afirmou.

      Sem se opor à privatização, mesmo admitindo os prejuízos para os trabalhadores, o dirigente sugere que seja prevista na MP a continuidade do contrato desses trabalhadores após a privatização das empresas. O relator da comissão, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), alega que não pode determinar como serão as contratações das empresas privadas.

      O vice-presidente da Federação Nacional dos Urbanitários, Nailor Guimarães, se mostrou preocupado com a privatização de empresas que atuam em regiões de grande biodiversidade, como a Amazônia. “Essa MP entrega as estatais, construídas com muito suor, a grupos privados. Provavelmente também a grupos estrangeiros. Parte das distribuidoras é na Amazônia. Se por acaso forem vendidas para grupos chineses, a biodiversidade ficará a mercê de pesquisadores chineses”, considerou.
       

      De Brasília, com Agência Senado 

      Serra proclama os Estados Unidos do Brasil, que não reconhecemos.

      Brasil

       Serra proclama os Estados Unidos do Brasil, que não reconhecemos
      Foto: Agência Brasil
      Michel Temer e Serra recebem o chanceler estadunidense John Kerry no início de agosto.Michel Temer e Serra recebem o chanceler estadunidense John Kerry no início de agosto.
      As notas do Itamaraty, emitidas pouco após as reações assombradas da Bolívia, da Venezuela, do Equador e de Cuba, insistiam na tentativa de legitimar a farsa de um processo político-jurídico mal construído. Sabemos que não foi relevante, para efeitos da ruptura democrática, o seu conteúdo. As falácias da sua legitimação concentram-se apenas na forma – como lembrou a presidenta Dilma Rousseff – e insultaram a Constituição, a democracia e o povo. Foi imposto, ao fim e ao cabo, o retorno das eleições indiretas, pelos arautos da corrupção entrincheirados no Congresso.

      Nas duas notas emitidas às oito da noite, o Itamaraty repetiu termos de outras emitidas após a suspensão da presidenta Dilma Rousseff de seu cargo, em maio, e “repudiou” o posicionamento do governo venezuelano, que no dia do malfadado impeachment havia chamado as coisas pelo nome e condenado o golpe. A Venezuela convocou seu embaixador no Brasil para consultas, o que significa um contundente protesto. O Brasil do dia zero pós-golpe (p.g.), no arrastado funeral da sua política externa solidária e altiva, convocou seu embaixador na Venezuela. Está consumada, assim, a postura que Serra pretende assumir pelo Brasil na Nossa América.

      Além da nota exclusiva contra a Venezuela – que está na mira da direita reacionária brasileira solidária aos golpistas venezuelanos e que foi alvo da Chancelaria interina na campanha contra a transferência da Presidência pro tempore do Mercosul, em que se tentou comprar a cumplicidade do Uruguai – o Itamaraty nos ofende com uma nota condenatória contra a Bolívia, o Equador e Cuba. Os três manifestaram-se também em repúdio ao golpe imediatamente após o seu desfecho. Repete-se a ladainha da legalidade do processo e da “incompreensão” dos nossos vizinhos sobre os procedimentos brasileiros. Enganam-se. Em espanhol, golpe também é golpe.

      A entrega nacional no plano do golpe
      Não é surpresa que, no mesmo dia, os Estados Unidos de fato tenham assumido seu papel na trama. Em sua conhecida tática de promover ou apoiar – direta ou indiretamente, dependendo das circunstâncias – os diversos golpes e tentativas de golpe, o Departamento de Estado dos EUA assegurou seus aliados brasileiros que as relações bilaterais estão mantidas. O porta-voz John Kirby afirmou: “Nós cooperamos com o Brasil para tratar de questões de interesse mútuo nos desafios globais mais prementes do século 21. Pretendemos continuar esta colaboração muito essencial”.

      A lista estende-se, sabemos, desde a Petrobras até outros possíveis escambos à vista de Serra e da trupe golpista para entregar o país ao mercado estadunidense ou europeu. No transcurso do golpe, em 5 de agosto, o chanceler estadunidense John Kerry estava no Brasil, quando anunciou planos de aprofundamento das parcerias que teriam sido desaceleradas nos últimos anos por “questões políticas”.

      Kerry falou em incrementar o mercado bilateral, já que os EUA enxergam no Brasil 200 milhões de consumidores e, no passado, nossas “parcerias” acabaram por condenar o país ao atraso estrutural. Caso o golpe não fosse aprovado, pode-se especular, a Quarta Frota da Marinha estadunidense no Atlântico Sul ou as duas bases militares extras anunciadas na Argentina de Mauricio Macri, inclusive uma próxima à tríplice fronteira e ao Aquífero Guarani, poderiam enviar-nos recados.


      Não fica velha a piada: Serra, em 2012, confunde o nome do Brasil enquanto elogiava os Estados Unidos, tratando o país pelo nome que tinha na República Velha.
      Como se sabe, o então senador José Serra elaborou o Projeto de Lei 131, de 2015, que revoga a obrigatoriedade de participação mínima da Petrobras, estabelecida em Lei de 2010, na exploração do Pré-Sal. A estatal brasileira, repetimos, é um dos principais alvos da farsa. No ápice do processo golpista, em 26 de agosto, Serra recebeu a cúpula da Shell, a anglo-holandesa escalada como uma das seis maiores petrolíferas do mundo e a maior multinacional em termos de receita em 2013, segundo a Fortune 500.

      Segundo o WikiLeaks, o Pré-Sal está na fatura do golpe desde que Serra prometeu à estadunidense Chevron, outra das maiores petrolíferas do mundo, o fim da participação obrigatória da Petrobras – uma das táticas de afirmação soberana do Brasil e uma das fontes de recursos para os principais setores sociais.

      Na sessão de admissibilidade do impeachment no Senado, em 12 de maio, Serra começou citando o ex-presidente estadunidense John Kennedy – em sua própria citação incorreta de Dante Alighieri, erro repetido pelo então senador – quando disse que os que se mantêm neutros diante de uma crise moral têm um lugar reservado no inferno. Serra parabenizava e buscava tranquilizar os senadores: “ninguém desta Casa, senhor presidente, vai ficar no lugar mais escuro do inferno”, apostou.

      Terão, porém, seu lugar reservado na vergonha da História, inclusive com discursos como o de Serra, que se adjudicou o papel de mediador entre a vontade dos 54,5 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram na presidenta Dilma e a “moralidade da política” – justo ele, que é acusado de receber R$ 23 milhões em caixa dois da Odebrecht. A ladainha não poderia ser mais fajuta. Já os “indícios dos crimes de responsabilidade” só entram depois em sua fala. Não chegaram ainda à realidade, porém, pois o golpe não precisa disso para derrubar ninguém.

      Mas esses são fatos à vista de todos e todas, assim como a decadência o Itamaraty, chefiado por alguém sem qualquer experiência ou postura diplomática, um mero mediador no plano de entrega do país. Resta-nos a resistência a tamanha vergonha nacional, a tamanha agressão contra a democracia e o povo, contra o Brasil. Contaremos com a solidariedade internacional na defesa da História.
       

      *Moara é cientista política (doutoranda em Política Internacional e Resolução de Conflitos) e jornalista (mestre em Comunicação dos Conflitos Armados e Sociais).

        Em recurso ao STF, defesa de Dilma pede anulação da sessão no Senado.

        Brasil

        Em recurso ao STF, defesa de Dilma pede anulação da sessão no Senado


        Edilson Rodrigues/Agência Senado
          
        O recurso foi impetrado por José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa de Dilma e  questiona, por exemplo, a mudança de acusação no relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e pede a anulação de todo o processo alegando falta de justa causa para o impeachment. O documento pede como medida liminar para que Michel Temer volte a ser interino.

        A defesa reafirma que o direitos da de Dilma foram violados e apontam que a denúncia se fundamenta no artigo 11 da Lei do Impeachment, que não está adequado à Constituição de 1988, já que foi feito quando era vigente a Constituição de 1946.

        O relator do recurso será o ministro Teori Zavascki, que não tem prazo para decidir se acolhe ou não os pleitos apresentados pela defesa.

        Download Confira aqui a íntegra do documento da Defesa de Dilma ao STF


        Do Portal Vermelho

        Imprensa alemã sobre impeachment de Dilma: "Uma injustiça histórica"

        Brasil

        Imprensa alemã sobre impeachment de Dilma: "Uma injustiça histórica"
        Agência Brasil
        Dilma é destituida do cargo: uma injustiça histórica diz jornais na Alemanha.Dilma é destituida do cargo: uma injustiça histórica diz jornais na Alemanha.
        Michel Temer, que governará o país até 2018, foi apontado como alguém que nunca teria ganhado uma eleição. Além do peemedebista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apontado como um possível beneficiado do impeachment.

        Golpe ou não?
        "A palavra golpe tem um grande peso na América Latina", afirma o influente portal Spiegel Online, apontando que o conceito é associado a generais e tanques nas ruas. "Mas como se deve chamar o processo em que uma chefe de Estado democraticamente eleita é afastada de seu cargo com uma justificativa legal duvidosa?" O veículo qualificou o processo de "farsa", formalmente correto, mas com base legal frágil.

        Segundo o portal, houve um abuso da cláusula do impeachment – destinada a proteger o país de crimes no mais alto cargo de Estado – para afastar uma presidente "desagradável". "O Senado brasileiro representa uma classe política que é mais velha que a democracia. Ela se baseia em dinastias que por décadas governaram estados como se fossem seus reinos. A maioria dos senadores representa um sistema que nunca aceitou a ex-guerrilheira Dilma", pontua o Spiegel Online, e complementa: "Não é preciso ser um apoiador de Dilma, de Lula ou do PT para constatar: essa mulher foi vítima de uma injustiça histórica."

        Para o Zeit Online, recorreu-se ao procedimento de impeachment previsto na Constituição, mas em vez dos previstos graves abusos foram usadas "sutilezas jurídicas" envolvendo a manipulação de números do orçamento. "Então, todos agiram como se isso fosse a pior coisa do mundo. [...] Na realidade, tratou-se de poder e política – e se vemos isso dessa maneira, todo o processo, apesar de cumpridas as formalidades, é uma violação da Constituição."

        Falhas 

        Apesar de questionar a legitimidade do impeachment, alguns veículos alemães também reconheceram que Dilma falhou. "Com uma política econômica fracassada e sua maneira autoritária e muitas vezes brusca, ela contribuiu para sua queda", afirma o Spiegel Online. O portal aponta que Dilma não é a única responsável pela crise econômica, mas acobertou a verdadeira dimensão da crise durante a campanha eleitoral e reagiu tarde demais. "Assim ela perdeu o apoio da classe média."
        O portal Tagesschau também reconhece que o afastamento definitivo de Dilma não foi apenas consequência da sede de poder de Temer, mas também das falhas políticas da petista. O veículo aponta que Dilma não envolvia seus aliados nas decisões e muitas vezes permanecia inacessível durante meses. "Não foi, portanto, somente sua política, mas sobretudo seu estilo de governar que fortaleceu seus adversários."

        Temer: "sedento de poder, astuto e vaidoso"
        A imprensa alemã fez duras críticas a Temer, classificado como alguém que nunca teria chance de ganhar uma eleição. "E ele nem poderia tentar: por doações eleitorais ilícitas ele não pode se candidatar", aponta o portal Tagesschau, acrescentando que grande parte do governo de Temer está envolvida em corrupção "até o pescoço".

        "E não combina nada com o Brasil moderno que alguém convoque apenas velhos homens brancos para seu gabinete", diz o veículo, que classifica o peemedebista como "sedento de poder, astuto e vaidoso". "Temer é tão impopular no país quanto Dilma", completa o Spiegel Online.

        Ao contrário de Dilma, Temer fala a língua e joga o jogo dos senadores em Brasília, aponta o Die Zeit. "Ele conduz agora um governo que opera de maneira exatamente oposta àquilo que o povo escolheu ao eleger Dilma", diz. "Até 2018, o Brasil terá que conviver com um governo que ninguém elegeu e que chegou ao poder de maneira altamente duvidosa. A democracia brasileira mergulhas numa crise de confiança da qual vai demorar a se recuperar", afirma o jornalista.

        Lula como beneficiado
        Nos últimos tempos, Dilma não contava nem mesmo com o apoio do PT, aponta o Frankfurter Allgemeine Zeitung, pois o partido já mira na eleição presidencial de 2018, "a qual pretende vencer com o ainda popular Lula".

        Para o Sueddeutsche Zeitung, o impeachment de Dilma tem como vencedor não apenas Temer, mas também o ex-presidente Lula, ainda que por ora ele pareça ser o maior perdedor com o afastamento de Dilma, com o qual a era do PT chega ao fim, aponta o diário de Munique.

        O jornal também aponta que o sonho vendido pelo PT de um Estado próspero, motor do crescimento do Hemisfério Sul, se acabou faz tempo e que, justamente os que chegaram ao poder prometendo fazer melhor que os antecessores corruptos, se tornaram tão propenso à corrupção como todos os outros.

        No entanto, o impeachment de Dilma traz consigo duas ironias, destaca o Sueddeutsche: Dilma é uma das poucas políticas de alto escalão do país contra a qual não há acusações concretas de corrupção; e justamente o impeachment pode acabar por fortalecer o PT no futuro.

        "Dilma falou repetidamente de um 'golpe parlamentar'. Com isso, a estratégia de argumentação do PT para a próxima campanha eleitoral já está definida. Lula voltará a se candidatar [...] – hoje o político mais popular e impopular do Brasil", afirma. "Pode ser que com a destituição do governo do PT comece, ao mesmo tempo, o renascimento do partido", conclui.


        Fonte: DW