segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Deputados convocam ministro para explicar “uso político da Lava Jato”


Brasil

Deputados convocam ministro para explicar “uso político da Lava Jato” 
www.plantaobrasil.net
A operação contra Palocci foi antecipada em discurso eleitoral do ministro da Justiça Alexandre de Moraes, que é filiado ao PSDB. durante comício do tucano Duarte Nogueira. A operação contra Palocci foi antecipada em discurso eleitoral do ministro da Justiça Alexandre de Moraes, que é filiado ao PSDB. durante comício do tucano Duarte Nogueira. 

No requerimento, semelhante ao que foi apresentado, também nesta segunda-feira (26), pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), os parlamentares alertam para o princípio de independência entre Poder Executivo e Polícia Federal e chamam atenção para a seletividade e o uso político da Lava Jato.

“O Ministro da Justiça anunciou, durante um ato de campanha eleitoral, no interior de São Paulo, que haveria nova fase da Operação Lava Jato a ocorrer nesta última semana do processo eleitoral. Antecipar informação privilegiada, e sobretudo sigilosa, é um ato criminoso e demonstra a interferência do Ministério da Justiça nas operações”, dizem os parlamentares, acrescentando que “a seletividade comprova que a Operação Lava Jato virou instrumento de luta política contra os adversários do governo Temer.”


De Brasília
Márcia Xavier 

Denúncia contra Lula abusou da convicção, diz professor da USP

Brasil

Denúncia contra Lula abusou da convicção, diz professor da USP

VICTOR MORIYAMA/EL PAÍS
  
"Lula também está sendo acusado pelo “conjunto da obra” do esquema de corrupção da Petrobras, assim como Dilma foi em seu processo de deposição. Mas diferentemente de um processo de impeachment que pune pelo “conjunto da obra” com a perda do cargo, aqui estamos falando de pena de prisão, de privação de liberdade. Não se pode chegar a este tipo de veredito por meio de argumentação política, contrariando o devido processo legal. Não se faz justiça com PowerPoint. Da mesma forma, a operação corre o risco de se perder ao decretar prisões temerárias como a do ex-ministro", analisou, ainda, o especialista.

Para ele, em uma operação que traz semelhanças às "Mãos Limpas", e que traz esse "propósito" como meta, "quem conduz não pode sujar as suas próprias, sob o risco de perder apoio institucional e da opinião pública".

E, por fim, colocou a questão para o juiz Sergio Moro, sobre os caminhos da Lava Jato: "é importante considerar que todos os políticos sem foro especial que passaram pelas mãos de Moro foram condenados. Ele confirmará essa tendência ao julgar Lula ou surpreenderá com uma decisão inédita apontando a insuficiência da acusação?"

Leia a entrevista completa, concedida ao El País:
A apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula e a recente prisão do ex-ministro Guido Mantega foram criticadas por uma série de analistas de diferentes espectros políticos. As críticas têm razão?
De fato, a denúncia contra Lula não trouxe nenhuma novidade. Apenas a forma de apresentá-la é que surpreendeu. Mas um analista atento da Lava Jato é capaz de perceber como desde o início ela está estruturada numa forma piramidal, partindo de uma alargada base de investigações envolvendo empreiteiras, diretores da Petrobras e políticos individuais que vai se afunilando até o topo quando finalmente se alcançaria o “comandante máximo” do esquema de corrupção. Na visão dos responsáveis, a operação não poderia terminar sem oferecer essa “cabeça” ao país, e me parece evidente que desde o início o alvo era a de Lula.
E essa carapuça serve nele?
Objetivamente, as provas reunidas não são suficientes para atribuir este comando ao ex-presidente e por isto a denúncia abusou da convicção e da tentativa de convencimento retórico. Neste aspecto, ela é mais política do que jurídica. Mal comparando, Lula também está sendo acusado pelo “conjunto da obra” do esquema de corrupção da Petrobras, assim como Dilma foi em seu processo de deposição. Mas diferentemente de um processo de impeachment que pune pelo “conjunto da obra” com a perda do cargo, aqui estamos falando de pena de prisão, de privação de liberdade. Não se pode chegar a este tipo de veredito por meio de argumentação política, contrariando o devido processo legal. Não se faz justiça com PowerPoint. Da mesma forma, a operação corre o risco de se perder ao decretar prisões temerárias como a do ex-ministro. Numa operação "mãos limpas", quem conduz não pode sujar as suas próprias, sob o risco de perder apoio institucional e da opinião pública.
Mas, no caso de Lula, essa foi só a denúncia. E a decisão do juiz Sergio Moro?
Um passo importante, a aceitação da denúncia, já foi dado, mas o processo pode ser longo e em algum momento passará a ser pressionado também pelotiming das próximas eleições presidenciais, na eventualidade de Lula ser candidato. Agora, é importante considerar que todos os políticos sem foro especial que passaram pelas mãos de Moro foram condenados. Ele confirmará essa tendência ao julgar Lula ou surpreenderá com uma decisão inédita apontando a insuficiência da acusação? De qualquer jeito, contas já estão sendo feitas de lado a lado neste sentido e a pressão sobre Moro será muito grande, também de lado a lado.
Se está em jogo a “propinocracia”, como classificou o procurador Deltan Dallagnol, não seria mais justo que a chapa Dilma/Temer fosse julgada pelo TSE?
A “propinocracia” é uma construção política feita pelos procuradores, à exemplo de "Tangentopoli" (cidade do suborno) apelido dado pela operação "Mãos Limpas" ao esquema de corrupção na Itália. Embora emblemática, essa construção não pode sustentar decisões judiciais, muito menos de condenação penal individualizada de pessoas. Neste sentido, a denúncia foi extravagante e será difícil sustentá-la em meio ao devido processo legal. Não há uma instância na qual a “propinocracia” possa ser julgada, não sem altas doses de arbitrariedade e até de injustiça.
Há um paralelo para isso no Brasil?
O caso do mensalão. A denúncia oferecida pelo Procurador Geral estava alicerçada na existência de uma organização criminosa que teria cometido os crimes de corrupção. Joaquim Barbosa, ministro relator do caso no STF, percebeu a fragilidade da denúncia e a sequência de julgamento dos crimes foi invertida, começando pelos menores e mais periféricos – mas sobre os quais havia mais evidências –, até chegar à formação de quadrilha, o mais central, porém mais frágil deles. A votação sobre este último foi bastante dividida entre os ministros e isto permitiu a interposição dos embargos infringentes. Somados à entrada de dois novos juízes no STF, estes embargos levaram à absolvição de todos, eu digo todos, os acusados por crime de quadrilha no mensalão. Ou seja, se em termos políticos a construção da ideia de organização criminosa foi bem sucedida, em termos jurídicos terminamos o julgamento com crimes sem autor, pelo menos não na forma alegada inicialmente, de uma quadrilha organizada.
Tanto no mensalão, quanto na Lava Jato, a cobertura da mídia foi bem intensa. Como você vê essa relação?
Os escândalos de corrupção, de um modo geral, têm sido marcados por uma interação constante entre os órgãos de justiça e a mídia, que se reforçam mutuamente neste processo. Às vezes essa interação é virtuosa quando, por exemplo, impede ações de retrocesso pela classe política. Mas às vezes é viciosa quando expõe sem justa causa a imagem de pessoas, quando pratica vazamentos ilegais e seletivos, quando a publicidade dos atos deixa de ser aleatória e passa a responder ao timing político ou eleitoral.
Em sua opinião, existe hoje uma oposição entre Justiça e Política, em que a primeira representa o bem e a segunda o mau?
Desde 1988 a Justiça não conheceu qualquer derrota no seu enfrentamento com a Política. Pelo contrário, além de se fortalecer cada vez mais, ela se beneficiou de um sistema político fragmentado em que iniciativas políticas que significariam retrocessos no combate à corrupção ou diminuição dos poderes do Judiciário não prosperaram. Veja, por exemplo, a recém-frustrada tentativa de anistiar a prática do caixa dois nas eleições. Mesmo que tivesse sido aprovada na madrugada da Câmara, seguiria incólume no Senado? E mesmo sendo aprovada no Senado, deixaria de ser questionada e muito provavelmente derrubada no STF, que hoje em dia detém a ultima palavra sobre quase tudo de relevante que se passa no país? Pode ser exagero dizer que vivemos sob o governo dos juízes, mas que seu protagonismo deslocou o centro gravitacional da democracia brasileira é algo que me parece bastante claro. Outro aspecto importante é que um dos combustíveis da Justiça é o moralismo. É curioso como juntos eles podem causar a alternância no poder, por vias eleitorais e não eleitorais como tem ocorrido no Brasil atual, mas não podem tomar o lugar da Política por completo, que tem sua lógica própria e que, pelo menos na Democracia, constitui a linguagem e o espaço mais legítimos da representação e do governo. Seja como for, essa peleja entre Justiça e Política está inscrita no nosso desenho institucional e deve ser encarada como um campeonato permanente e não apenas como uma partida isolada.
Como você leu os discursos contra a corrupção do ministro Celso de Melo e a defesa da Lava Jato por parte de Rodrigo Janot durante a posse da Carmem Lucia no dia 12 de setembro?
Posses de presidentes do STF representam momentos de afirmação de agendas internas e externas ao tribunal e ao Judiciário. Apesar do estilo, tenho a impressão que Carmem Lucia falou principalmente ao público interno, enquanto Celso de Melo e Janot fizeram frente aos desafios externos do momento. Por isso, acredito que ela gostaria de concentrar seus esforços mais no plano interno que externo, especialmente à frente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mais do que do próprio STF. Na presidência do Conselho, a nova presidente do Supremo adiantou que pretende atuar pela modernização do Judiciário, com ênfase na transparência e na agilidade da Justiça. Mas sua liderança à frente do tribunal também será reclamada a todo o momento, já que o STF tem pela frente um dos maiores julgamentos de sua história, envolvendo políticos e escândalos de corrupção no âmbito da Lava Jato e de outras operações.
Muito se perguntava sobre a atuação da Lava Jato em um período pós-impeachment. Como enxerga o momento atual da operação?
Se minha percepção estiver correta, a de que os agentes que lideram a Lava Jato atuam a partir de um extraordinário poder institucional acumulado nos últimos anos, e que seu objetivo é o de se fortalecerem ainda mais, não há razões para apostar no arrefecimento da operação – exceto as baseadas nos cálculos estratégicos deles próprios. Veja o exemplo do controle sobre as ações da Polícia Federal. Muitos argumentam que caberia ao Ministro da Justiça, para o bem ou para o mal, controlar a PF, mas se esquecem de que a PF responde aos comandos da Justiça e não do poder Executivo, e que suas ações cotidianas são autorizadas por juízes e não pelo Ministro da Justiça.
O ex-presidente Lula sempre diz que o processo de fortalecimento do MP e da PF começou em seu Governo. Isso partiu apenas de uma decisão dele ou também havia um fortalecimento natural das instituições?
Essas explicações se somam, não são excludentes. As instituições de Justiça apresentam um modo peculiar de conquista de espaço e de fortalecimento institucional no Brasil. O MP começou sua trajetória de afirmação ainda sob o regime militar. Depois dele, a Defensoria Pública e a Polícia Federal, guardadas as suas especificidades, têm seguido caminho semelhante. Um caminho de busca crescente de autonomia, mas também de poder. Cada uma encontra um "encaixe" no sistema de Justiça, a partir do qual expandem suas atribuições, além de garantias e privilégios. E deste lugar se projetam sobre o sistema político mais amplo. Por outro lado, é razoável atribuir ao PT e ao Governo Lula parcela de responsabilidade por estes êxitos. Nos anos 1990, quando o partido era oposição, seu principal aliado de lutas era o Ministério Público. Quando o MP foi ameaçado com a "lei da mordaça", o PT esteve ao seu lado, resistindo.
Qual foi a novidade com a vitória do Lula?
Já sob seu Governo, a escolha do Procurador Geral da República passou a ser feita a partir de lista tríplice informal, sequer prevista na constituição e elaborada não pela instituição Ministério Público, mas por uma associação de classe dos procuradores federais (a ANPR), com as indicações presidenciais sempre recaindo sobre o mais votado dessa lista. Foi também no período Lula que a Defensoria Publica recebeu apoio importante na tramitação de reformas constitucionais que reforçaram sua condição e a Polícia Federal recebeu o maior apoio – em termos materiais e de recursos humanos – de sua história. A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2014, Dilma Rousseff editou medida provisória estabelecendo que o diretor geral da PF seria escolhido dentre delegados da classe especial, uma reivindicação antiga da carreira. O choque entre os governantes petistas e a força-tarefa formada por MP e PF na Lava-Jato é de fato um paradoxo das consequências, que ainda está por ser explicado.
O juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato foram muito festejados como uma nova geração capaz de enfrentar a corrupção na política. Qual avaliação faz?
Embora, como eu disse, a trajetória de afirmação institucional do Ministério Público e da Polícia Federal no combate à corrupção venha de vários anos, a Lava Jato representa mesmo uma grande novidade por tudo o que produziu até agora. Mas ela não teria chegado aonde chegou se a figura do juiz – antes um desconfiado fiscal das ações do MPF e da PF – não tivesse se convertido ele mesmo num agente do aperfeiçoamento do processo criminal com vistas a resultados. Neste cenário, no qual os três atores agem voltados ao mesmo objetivo, os riscos de abuso aumentam e críticas têm sido feitas a respeito.
Como assim o juiz era "um desconfiado das ações" do MPF e PF?
Antes, o juiz se colocava na condição de quem devia ser convencido das provas produzidas pela polícia e da convicção do órgão acusador. Desconfiava destes e assumia uma posição mais "garantista", beneficiando mais do que prejudicando o réu. Hoje, o juiz que emerge da Lava Jato é aquele que se coloca ao lado dos órgãos de investigação e de acusação e se empenha pelos seus acertos mais do que aponta seus erros.
Fala-se muito em seletividade e partidarização da Lava Jato, você concorda?
Mais do que seletividade e partidarização, o que está ocorrendo é mais profundo: três instituições desenhadas para cobrir partes e não o todo do processo criminal, e que neste arranjo deveriam se fiscalizar mutuamente, invertem a equação e passam a atuar em consórcio, sob o argumento de reduzir a impunidade. Este caminho é perigoso. Não podemos passar de um triângulo das bermudas – onde tudo se perdia e reinava a impunidade – para um triângulo de ferro que venha a punir ao arrepio do Estado de Direito.
Outro assunto que dominou as últimas semanas foi a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O que esperar dele daqui para frente?
Eduardo Cunha é um jogador de apostas altas. Soube aproveitar a crise da coalizão governista para se eleger presidente da Câmara. Ameaçado de cassação, cacifou-se por meio da prerrogativa de abrir ou não o processo de impeachment de Dilma. Quando o PT lhe retirou o apoio na Comissão de Ética, não teve dúvida em abrir o processo contra a presidente, mergulhando o país numa aventura institucional. Na sessão de cassação de seu mandato, deu as costas a quem ocupava a tribuna e foi bastante arrogante ao dizer aos seus pares que eles seriam os próximos. Tomou 450 votos na cabeça. Seu desafio agora é escapar de uma condenação penal, depois que uma parte dos processos nos quais é réu ou investigado migrou para as instâncias inferiores. Aliás, agentes podem bater à sua porta a qualquer momento. Se concluir que a melhor alternativa é elevar mais uma vez a aposta, pode negociar uma das delações mais estridentes da Lava Jato até aqui. Em sua primeira entrevista, poucos dias após sua cassação, já disparou contra integrantes do alto escalão do governo Temer, exercitando suas fichas.
Cunha se vangloriou, por muito tempo, de ter uma bancada própria. Com quem ficará essa bancada agora?
Cunha se elegeu presidente da Câmara na esteira da crise do sistema partidário em geral e da coalizão governista em particular. Enquanto presidiu a Câmara, governou a casa com e para o chamado baixo clero, que na verdade é um conjunto de parlamentares que prefere atuar fora do jugo das lideranças partidárias. Cunha lhes deu voz e uma pauta de votações eloquentes ao longo de 2015. Com a posse de Rodrigo Maia e a cassação final de Cunha, essa “bancada” deve se dissolver e voltar ao comando dos respectivos partidos. Essa é a regra do parlamento e o governo Temer se esmera em retomá-la. Casos como os de Eduardo Cunha e Severino Cavalcanti foram exceções à regra do governo partidário na Câmara, dentre as quase vinte presidências exercidas ali desde 1988.


Fonte: Jornal GGN e El País

PF diz que "errou": JD não é José Dirceu na planilha da Odebrecht

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Reprodução
  
Agora, segundo os investigadores, a sigla “JD” se refere ao ex-chefe de gabinete de Palocci, Jucelino Antonio Dourado. Antes, a PF e os procuradores de Curitiba disseram, com base nas suas convicções, que as anotações encontradas na planilha da Odebrecht se tratavam de valores repassados a JD Consultoria, em 2009 e 2010.

Na época, o advogado de José Dirceu, Roberto Podval, rebateu as acusações e afirmou que a associação feita pela PF não tinha cabimento. “Não tem nenhum cabimento. Tudo o que foi recebido pela JD Consultoria foi escriturado. Como alguém vai receber essa quantia sem que isso apareça na contabilidade?”, questionou.

Em agosto José Dirceu completou um ano de prisão pela 17ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi condenado a 20 anos e dez meses de prisão por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
 

Do Portal Vermelho, com informações de agências

Dilma: "Estamos caminhando para o Estado de Exceção"

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Dilma: "Estamos caminhando para o Estado de Exceção"


Roberto Stuckert Filho
  
"O país vive uma situação grave. O anúncio de nova fase da Lava Jato pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, num palanque eleitoral, em plena atividade de campanha em Ribeirão Preto, na véspera da prisão de Antônio Palocci, lança suspeitas de abuso de autoridade e uso político da Polícia Federal", afirmou a presidenta legitimamente eleita.

Durante ato de campanha do candidato do PSDB Duarte Nogueira, em Ribeirão Preto (São Paulo, Moraes afirmou: “Pode ficar sossegado, apoio total à Lava Jato. Tanto que quinta teve uma, sexta teve outra e essa semana vai ter mais. Podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”.

Dilma destacou ainda que se tal situação tivesse ocorrido no seu governo "seríamos duramente criticados pela imprensa e pela oposição". E completou: "Estamos caminhando para o Estado de Exceção".


Do Portal Vermelho

Instituto Lula: Acusação sem materialidade visa difamar ex-presidente

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Instituto Lula: Acusação sem materialidade visa difamar ex-presidente

Instituto Lula
  
O Instituto informa que a sede sempre foi no mesmo sobrado, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, onde antes funcionava o antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador.

"Mais uma vez, querem impingir ao ex-presidente Lula uma acusação sem materialidade, um suposto favorecimento que nunca existiu, inventando uma sede que o Instituto Lula nunca teve, com o claro objetivo de difamar sua imagem", diz o texto.

Confira abaixo a íntegra:

Nota à imprensa
Instituto Lula sempre teve uma única sede

São Paulo, 26 de setembro de 2016,

Desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. Originalmente, era uma imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O Instituto Lula não tem, nunca teve outra sede ou terreno.

Mais uma vez, querem impingir ao ex-presidente Lula uma acusação sem materialidade, um suposto favorecimento que nunca existiu, inventando uma sede que o Instituto Lula nunca teve, com o claro objetivo de difamar sua imagem.

Ao longo desses 20 anos, o endereço e o compromisso do Instituto Lula com a democracia e a inclusão social permanecem os mesmos.

Senado e STF ensaiam regressão de 190 anos na legislação trabalhista

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Senado e STF ensaiam regressão de 190 anos na legislação trabalhista

  
O Senado deve votar a qualquer momento o Projeto de Lei 4.330, aprovado pela Câmara, para permitir a terceirização das atividades-fim, até hoje só admitida nas atividades-meio. O STF informou ao Congresso que, se ele não der tratamento à questão, a Corte apreciará a ação da empresa Cenibra, que vai na mesma direção do projeto de lei.

A fabricante de celulose, controlada pela multinacional Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development, questiona a Súmula 331, do Tribunal Superior do Trabalho, que tem orientado julgamentos na Justiça Trabalhista fazendo a distinção entre atividade-fim e atividade-meio. Sempre que a atividade-fim é caracterizada, a empresa perde a ação, pois essa súmula diz que não se pode terceirizar a atividade-fim.

A Cenibra alega que a súmula fere um princípio constitucional, o da liberdade de a empresa contratar quem quiser e como desejar. A ação está nas mãos do relator, ministro Luiz Fux, pronta para apresentação ao plenário. Caso a decisão do tribunal saia antes e seja favorável ao argumento da Cenibra, a terceirização radical será admitida e a votação do Projeto de Lei 4.330 perderá sentido.



A questão tem repercussões amplas e graves. “As ideias de Estado sem responsabilidade e de iniciativa e propriedade privadas sem controles estão presentes somente em duas Constituições, as de 1824 e de 1891”, alertou o ministro do Tribunal Superior do Trabalho Maurício Godinho Delgado, a propósito do risco da derrubada da Súmula 331, durante o Fórum em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização, em 2014.

Ao contrário de outros países da América Latina, não há no Brasil uma lei a regulamentar a questão. A contratação de terceiros para realizar serviços de limpeza e segurança (atividades-meio) em uma montadora, por exemplo, é aceita, mas não se admite delegar a produção de veículos (atividade-fim) a outras empresas.

“O grande embate resume-se numa frase: terceirizar ou não a atividade-fim. Isso é que está pegando. Entendemos que não pode. Por todos os indicativos, vai ser uma esculhambação danada, uma lambança generalizada. Haverá metalúrgico sem metalúrgica, comerciário sem comércio, professor sem escola, bancário sem banco. Porque eles serão funcionários de um escritório. Esse escritório é que vai encaminhar trabalhadores para essa ou aquela área conforme a sua atividade”, resume o senador Paulo Paim, relator do Projeto de Lei 4.330.

“A Súmula 331 é um instrumento de proteção parcial aos trabalhadores e, se for revertida, os empresários nadarão de braçada”, prevê Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese. “As empresas, especialmente as federações e a Confederação Nacional da Indústria, atuam pela liberação da terceirização para qualquer atividade, o que não tem acordo com os trabalhadores, a Justiça, as entidades do Fórum sobre o tema.”

Os empresários discordam e endossam os argumentos de Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia e Administração da USP. Há exagero em apontar o risco de terceirização ampla das atividades-fim, argumenta o professor em um artigo. “Uma escola séria dificilmente terceirizaria suas salas de aula.” O Projeto de Lei 4.330 é equilibrado, diz, com salvaguardas que limitarão o uso da possibilidade às situações em que aumentará a eficiência sem prejudicar os terceirizados. O PL equaciona o conflito entre os sindicatos das categorias principais, que querem assumir a representação dos terceirizados, e as entidades empresariais, que preferem a representação nas mãos daqueles menos poderosos.

Quando a atividade terceirizada for relacionada à atividade principal da empresa, o sindicato principal representará os trabalhadores. No caso contrário, a entidade dos terceirizados será a representante. Segundo Zylberstajn, a aprovação da regulamentação tende a elevar a competitividade do País e o risco de perda de arrecadação será solucionado em parte com a determinação à empresa contratante de retenção na fonte dos tributos que seriam recolhidos pela terceirizada.

Maximiliano Garcez, advogado de entidades sindicais e diretor para assuntos legislativos da Associação Latino-Americana de Advogados Laboralistas e integrante do Fórum da Terceirização, discorda. “A premissa é equivocada, não partimos de um argumento de que a terceirização “transformaria” o mercado de trabalho em uma selva. Ela já existe para mais de 12 milhões de trabalhadores formais e torna esse setor uma selva.

Afirmar que empresários sérios não se utilizarão das medidas de terceirização a partir única e exclusivamente da racionalidade econômica sugere que se deve confiar na manutenção de um patamar mínimo de civilidade nas relações de trabalho pela índole dos empresários individuais, o que é altamente discutível, critica Garcez. Segundo o advogado, não há equilíbrio, pois, o projeto permite a terceirização irrestrita, a quarteirização, e assim por diante. “Trata-se de regulamentação do trabalho escravo contemporâneo. Não há exigência de garantias razoáveis para o cumprimento das obrigações trabalhistas das empresas terceirizadas.

A legislação permite uma ampla discricionariedade quanto às exigências, o que leva, obviamente, à sobreposição da lógica econômica nessas relações.” Além disso, diz, há uma tentativa clara de limitação das responsabilidades da contratante decorrentes da terceirização, com agravamento da situação precária de hoje. As empresas gostariam que a representação ficasse com os sindicatos terceirizados “porque assim será possível reduzir ainda mais os direitos de quem trabalha e lucrar com a miséria e a precarização do seu esforço”.

A melhor competitividade, se ocorrer, será à custa desses direitos, com a redução do valor do trabalho. Quanto à retenção de tributos, não afasta a possibilidade concreta de diminuição da arrecadação, principalmente em virtude da redução geral dos salários e de direitos que a medida aprofundará, analisa Garcez.

“As reformas redutoras da proteção social ao trabalho duramente conquistada enfrentam resistência significativa na sociedade e por isso transitam com dificuldade no Congresso, mas encontram amplo acolhimento no Supremo Tribunal Federal”, aponta Magda Biavaschi, desembargadora aposentada da Justiça do Trabalho, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp e uma das coordenadoras do Fórum da Terceirização.

A grande maioria dos ministros, diz, apoia sistematicamente as teses liberalizantes da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária e do programa Ponte para o Futuro, do PMDB. No encaminhamento da ação da Cenibra, mencionado acima, “está em questão, no limite, a própria possibilidade de o Tribunal Superior do Trabalho uniformizar a jurisprudência trabalhista via súmulas que coloquem limites às formas de contratação precarizantes, como é o caso da Súmula 331”.

Outros casos envolvem tanto o tema da terceirização quanto o da prevalência do negociado sobre o legislado, como aconteceu recentemente com as horas in itinere ou do deslocamento necessário ao trabalho, e com a liberação da jornada de 12 horas para os bombeiros.

As vantagens da terceirização para as empresas são tão evidentes quanto os prejuízos aos trabalhadores, mostram o noticiário e milhares de ações na Justiça. Empresas terceirizadas com frequência pagam mal, descumprem a legislação, forçam atividades insalubres e arriscadas, têm alta rotatividade, fraudam contratos e sonegam informações.

O recurso ao expediente só cresce. Entre 2007 e 2014, enquanto aumentou em 28,78% a quantidade de trabalhadores não terceirizados, de 27,6 milhões para 35,6 milhões, houve um salto de 46,5% no total de terceirizados, de 8,5 milhões para 12,5 milhões, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. A remuneração média do segundo grupo corresponde a apenas 76,6% daquela do primeiro contingente. Na faixa entre 1,5 e 1,6 salário mínimo, a proporção de acidentes sobre o efetivo total foi de 9% entre os não terceirizados, mas atingiu 17% para os terceirizados, em dezembro de 2014.

Sem regulamentação, a realização de serviços terceirizados é altamente lucrativa, evidenciam os resultados das prestadoras de serviços de teleatendimento, entre outras. O faturamento do setor aumentou de 35 bilhões de reais, em 2012, para 43 bilhões, em 2014, com a mesma quantidade de posições de atendimento e uma diminuição do número de funcionários, de 1,65 milhão para 1,62 milhão. É o que mostra o trabalho de conclusão de curso de Fábio Oliveira da Silva, aluno da Escola Dieese de Ciências do Trabalho e dirigente do sindicato da categoria.

O crescimento do número de acidentes quando se terceiriza é evidente, mas até as maiores empresas reincidem em erros graves. Milhares de trabalhadores do setor elétrico de Minas Gerais enfrentam todos os dias um elevado risco de morte. Entre 2007 e 2015, acidentes de trabalho mataram 32,6 em cada 100 mil terceirizados da Cemig Distribuição, segundo Jefferson Silva, coordenador-geral do Sindieletro, o sindicato do setor. É o quíntuplo dos 6,4 acidentes fatais por 100 mil integrantes do quadro próprio da empresa. Os números estão subestimados. Há casos de acidentados registrados em hospitais como vítimas de queimadura, não de descarga elétrica, descobriu a entidade.


Em 2013, o Ministério do Trabalho e o Ministério Público encontraram 44 violações dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos, inclusive trabalho análogo à escravidão entre as terceirizadas. Os fiscais flagraram também fraude na aferição da produtividade. “As horas extras e as médias de produtividade não são pagas no contracheque do trabalhador, mas por fora e não entram no cômputo da produtividade”, relata Silva.

No governo FHC, um plano de demissão voluntária provocou um aumento radical da terceirização na Petrobras, seguido da explosão e afundamento, em 2001, da plataforma P-36, a maior do mundo. Uma comissão externa da Câmara relacionou o acidente à terceirização e recomendou a ampliação do quadro próprio. O novo plano de demissão voluntária do presidente da empresa, Pedro Parente, tem mais de 12 mil inscritos e deverá resultar em uma nova escalada da terceirização. “Isso é bastante preocupante, acende a luz amarela, porque estamos às portas de um novo acidente”, prevê o sindicalista.


 Fonte: Carta Capital

Renato Rabelo: Vitória eleitoral, definitiva?

Brasil

Renato Rabelo: Vitória eleitoral, definitiva?

Foto: Bruno Bou/Cuca da UNE
  
Não existe essa vitória eleitoral definitiva, sobretudo, no atual estágio político em que atravessa o Brasil – uma encruzilhada a seguir, diante da esquerda, porquanto o grande desafio é definir uma alternativa avançada em defesa do desenvolvimento nacional, do avanço democrático, do progresso social, da integração com os vizinhos da região continental, da preservação ambiental.

A esquerda sempre errou quando quis impor uma visão vanguardista, exclusivista, entre as demais tendências avançadas e esclarecidas. Ao se comportar assim, prevalecendo uma visão imediatista, ou pior, que um momento eleitoral decide tudo, perde seu rumo, em consequência, dando espaço as forças contrárias, conservadoras.

Nesse sentido, a manifestação de Jean Willys, acerca da eleição municipal da cidade do Rio de Janeiro, (post publicado em sua página sob o título “Por que Freixo e não Jandira?”) derrapa num momento decisivo, que exige incisivamente a convergência da esquerda e das forças democráticas e progressistas no pleito municipal. Não foi possível unir desde o primeiro turno todas as forças de esquerda, progressistas no Rio de janeiro. A propósito, Jandira desenvolveu grande esforço na busca dessa aliança mais ampla, propondo no dia 31 de maio deste ano uma reunião ampla com a finalidade de reunir as candidaturas de esquerda. Mas, encontrou forte resistência da parte do Psol, que já tinha firmado posição em um Encontro Municipal, expressando formalmente a decisão peremptória de não realizar aliança com nenhum Partido da base da presidenta Dilma.

Não sendo possível o intento aliancista, mantida a disposição das candidaturas atuais, o caminho justo a adotar tem sido concentrar, neste pleito, o nosso alvo de luta nos candidatos do establíshment golpista, principalmente em Pedro Paulo e Crivella, destacando nossa visão de melhor servir ao povo carioca. Jandira tem atuado rigorosamente assim. Desse modo cabe ao eleitor decidir quem tem melhor condição de enfrentar a direita, numa disputa que pode ir ao segundo turno. E, assim, descortinar mais nitidamente num embate tête à tête um novo projeto de humanização, democratização, inclusão social e modernização da cidade do Rio de Janeiro.

Contudo, tornou-se inusitado e prejudicial à unidade do nosso campo comum progressista a posição que Jean Willys, levado a se expressar, por demandas sectárias, avilta de forma grosseira a trajetória de Jandira. Ele tem todo o direito e autoridade para defender a candidatura de Freixo. Não é isto que está em questão. Como têm o direito e autoridade para defender a candidatura de Jandira, os seus apoiadores. A questão é que ele atravessou o rubicão neste momento, procurando atingir Jandira, como faz as forças opositoras à direita.

No desespero eleitoral, espantosamente! Logo ele, de maneira surpreendente, resvala pelo preconceito machista, misógino. E, reducionista, do ponto de vista político – diz que Jandira sempre foi aliada do PMDB e agora quer é eleger o candidato do PMDB. Lastimável meu caro Jean, desse modo você rebaixa sua própria e respeitada honestidade. Imagine o desserviço que isso pode fazer indo ao segundo turno tanto Jandira, quanto Freixo, ou se aproveitado os opositores, desde agora, para impedir que uma ou outra candidatura de esquerda alcance o segundo turno.

Após o golpe perpetrado por ampla coalizão conservadora, numa escalada à direita, o nosso país é levado a uma situação na qual o Estado Democrático de Direito fenece, engendrando deformações jurídico-institucionais de exceção, tudo enfim voltado a um grande retrocesso histórico, perdas de pelejadas conquistas civilizatórias, impondo um grande cerco às forças mais avançadas do país, por meio de aumento da repressão e de ostensiva perseguição política.

Em tal situação, nas eleições municipais atuais se reflete os lados desse grande embate político. Jandira tem sido alvo eletivo das forças golpistas por sua decidida e coerente defesa da democracia e dos diretos do povo. Não há como ficar distante da realidade de que o golpe comprometeu profundamente a democracia, criou mais impacto sobre o povo, tornou-o mais temeroso e mais descrente nas instituições políticas -- resultou um Fora Temer#, amplamente majoritário na população, o que revela do que ficou na subjetividade popular. Em situação tão excepcional para o destino do Brasil, a nossa unidade mais se impõe.

Não acredito que a vitória do Psol, na cidade do Rio de Janeiro, tendo como fim aviltar outras tendências de esquerda, mesmo no caso de êxito eleitoral, seja uma vitória que conduza ao êxito estratégico, menos ainda a uma vitória definitiva, de uma só corrente de esquerda, o que é ilusória. Tal procedimento se torna uma luta sem horizonte, cegando a esperança, propósito que não deve ser do Psol.

Mais do que nunca o caminho da vitória é realmente nos unirmos – a esquerda e as forças democráticas e progressistas, com sustentação popular -- para desmascarar e derrotar a direita, as forças golpistas, impedi-las sim, de tornar o governo municipal, nomeadamente a cidade do Rio de janeiro, em alavanca das forças dominantes da exclusão social, do vende-pátria, do retrocesso histórico do país. Essa deve ser a convicção e o caminho a ser trilhado nessas eleições municipais, pelas forças que realmente almejam um Brasil mais soberano, mais democrático, menos injusto e menos desigual.


Renato Rabelo é presidente da Fundação Maurício Grabois

Fonte: Blog do Renato Rabelo