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Copom mantém Selic em 14,25% e pressiona por ajuste
No dia em que o Senado consolidou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer afirmou que a recuperação da economia é prioridade de seu governo sem votos, o Comitê Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção da taxa básica de juros em 14,25%. Ao sinalizar que a Selic só deve cair após a aprovação de medidas de ajuste, o comunicado escancara que o colegiado age politicamente - e não de forma técnica, como quer fazer crer.
A manutenção do percentual era esperada pelos analistas, que preveem que a taxa ficará inalterada até o fim do ano. Mas o que chama a atenção é o trecho da nota em que os membros do Copom citam as condições necessárias para que os juros comecem a cair.
Segundo o texto, a redução da Selic dependerá da velocidade de recuo da inflação nos próximos meses e da aprovação das medidas de ajuste fiscal. Os membros do Copom escrevem no documento que é preciso que "ocorra redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal, e seus respectivos impactos sobre a inflação".
De acordo com o Banco Central, esses fatores podem dar mais confiança de que a meta de inflação de 4,5% em 2017 será atingida, abrindo brecha para uma queda da taxa básica de juros. Na realidade, trata-se de uma forma de pressionar o governo para que faça valer o seu discurso da austeridade, levando adiante projetos que significam cortes de gastos sociais e direitos constitucionais.
O próprio Planalto já sinalizou que, diante da dificuldade de conseguir quórum para aprovar seus projetos em meio às eleições municipais, considera a possibilidade de sua principal medida de ajuste - a PEC 241 - ficar para o próximo ano. O Copom indica, portanto, que não tem pressa em fazer cair os juros brasileiros, os mais altos do mundo e que tanto penalizam a economia do país - essa mesma que Temer diz querer estimular, embora não tenha apresentado medidas concretas para isso.
Discurso de Temer não convence tucanos e abala frágil aliança golpista
Com um discurso teatral de quem não tem força, mas quer que todos acreditem que tem, Michel Temer (PMDB) deixou a imprensa acompanhar parte da sua primeira reunião ministerial, após o Senado aprovar o golpe contra o mandato de Dilma Rousseff, nesta quarta-feira (31).
Por Dayane Santos
Agência Brasil
Disse aos seus ministros que não aceitará ser chamado de golpista e muito menos a divisão em sua base de apoio no Congresso Nacional. “Não vamos levar desaforo para casa. [...] Não podemos deixar uma palavra sem resposta”, afirmou ele.
Para responder aos milhares de manifestantes nas ruas, lideranças sindicais e políticas, donas de casa, estudantes e crianças que o chamam de golpista, Temer passou o script dizendo que a resposta deve ser: “Golpista é você, que está contra a Constituição”.
No entanto, não escondeu que atuou efetivamente para cassar o mandato legítimo da presidenta Dilma ao afirmar que não gostou da decisão dos parlamentares de rejeitar a inelegibilidade e a proibição para exercer cargos públicos da presidenta, por 36 votos contra, três abstenções e 42 votos a favor. Para que ela ficasse inabilitada, 54 senadores deveriam votar a favor.
O usurpador classificou como “inadmissível” a divisão de votos que permitiu que Dilma mantivesse os direitos políticos.
“É uma divisão inadmissível. Se é governo, tem que ser governo. Quando não concorda com uma posição do governo, vem para cá e vamos conversar para termos uma ação conjunta”, destacou.
Apesar de dizer que a decisão não foi uma derrota, mas apenas um “pequeno embaraço” na base governista, o fato é que vários senadores da base aliada, que haviam votado a favor do afastamento definitivo, votaram pela garantia dos direitos políticos de Dilma.
Segundo o próprio Temer, os senadores governistas haviam se “arrependido” de condenar Dilma no momento em que o plenário do Senado decidia sobre a inelegibilidade.
“Quem tolerar isso, confesso, vou ter que trocar uma ideia sobre isso. Não é possível tolerar isso porque agora isso aqui não é brincadeira. Não é ação entre amigos ou ação contra inimigos. Ninguém vai caçar bruxas aqui, mas não vamos deixar eles tentarem demonstrar que o governo não é capaz de responder”, esbravejou.
Disse que foi pego de surpresa com a migração de votos. A responsabilidade pelo resultado da votação foi atribuída ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
“O que não dá é para aliados nossos se manifestarem no plenário sem terem uma combinação conosco. Convenhamos, se tivesse uma combinação, poderíamos dizer ‘vamos fazer um gesto de boa vontade’, ‘vamos abrir mão disso’, ‘vamos permitir que sua excelência [Dilma] tenha condições de não ser inabilitada’, mas seria um gesto nosso, não pode ser um gesto de derrota”, reclamou Temer.
“Isso é fazer jogo contra o governo. Não dá para fazer isso. Estou sendo claro para dar o exemplo de que não será tolerada essa espécie de conduta”, acrescentou.
As declarações de Temer foram na verdade uma tentativa de justificar aos seus aliados tucanos, que o PMDB não estava sendo o PMDB.
PSDB e DEM estavam espumando de raiva com o resultado da votação que favoreceu a presidenta Dilma e escancarou, implicitamente, que os senadores sabiam que não há crime de responsabilidade. Ameaçavam recorrer ao Supremo e sair do governo.
Depois de consultar os advogados, as legendas decidiram que não recorrer ao Supremo, já que tal medida abrir um precedente que favorece Dilma. Mas a reclamação contra o governo Temer permaneceu.
O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), disse que se sentiu enganado pelo PMDB, que não os avisou sobre a posição em relação aos direitos políticos.
A votação abalou ainda mais a relação entre Temer e tucanos. Aécio colocou em dúvida o compromisso da cúpula peemedebista.
“Saíamos preocupados com essa posição de setores do PMDB que não nos dá segurança em relação à parceria para o futuro”, disse o tucano.
“É preciso que setores do PMDB digam até que ponto estão comprometidos com esse projeto, até que ponto estarão ao lado de reformas preconizadas pelo presidente Michel Temer e apoiadas pelo PSDB. Isso deixa dúvidas”, confessou.
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) e outros tucanos passaram a defender ao fim da votação um rompimento com Temer.
“O PMDB começou a tratar o PSDB da maneira que era tratado pelo PT”, reclamou Cunha Lima (PB). ”Nós e o Democratas fomos surpreendidos. Não houve uma palavra de ninguém do PMDB na direção dessa mudança de posição”, disse Aécio. “Se nós percebermos a quantidade de ambiguidades que já havíamos denunciado e sinalizado antes, certamente esse apoio não poderá existir, já que não haverá compromisso com essas reformas. Para nós não foi nada positivo a posição final de inúmeros e ilustres líderes do PMDB na segunda etapa dessa votação”, completou.
O senador Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, também endossou o coro dos descontentes. “Esse resultado indiscutivelmente surpreende. Houve um acordão nas últimas horas.”
O assunto deve ser retomado a partir da próxima semana, quando Temer retornar do encontro do G20, na China. Até lá, muita lama há de passar por este rio.
Janot defende prisão em 2ª instância pode garantir delações
Um dos princípios basilares da Constituição e da lei penal brasileira é que a lei penal dirige-se a fatos futuros e a norma não é feita para indivíduos determinados. Apesar disso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao comentar sobre uma eventual revisão na jurisprudência do Supremo Tribuna Federal (STF) que autoriza, desde fevereiro, a prisão de condenados em segunda instância, disse que tal medida pode inibir atuais ou futuras negociações de delações premiadas.
Agência Senado
Procurador-geral da República, Rodrigo Janot
O Supremo começou a julgar duas ações que pedem a confirmação de artigo do Código Penal que reforça o que prevê a Constiuição que estabele que ninguém pode ser preso, a não ser nas hipóteses de prisão em flagrante e preventiva, até que se esgotem as possibilidades de recurso de um processo, o chamado trânsito em julgado.
"Para o Ministério Público, este julgamento de hoje [quinta] é tão importante como o julgamento no Supremo que definiu o poder investigatório do Ministério Público. Eu acho que isso influenciará, com certeza, em vários processos de colaboração premiada em curso ou que virão em todas as investigações do Ministério Público, seja federal, seja dos estados", ressaltou Janot antes de ingressar na sessão do STF.
A preocupação de Janot é que uma eventual mudança de posição do Supremo pode atingir as negociações de delações premiadas da Operação Lava Jato. Diversos jurístas apontam que a prisão em segunda instância, autorizada pelo Supremo, viola a Constituição.
O criminalista Fabio Tofic Simantob considerou a interpretação dada pelo STF como uma uma emenda constitucional. “Uma emenda proibida pelo próprio constituinte, já que a presunção da inocência até o trânsito em julgado é cláusula pétrea”, salientou. "Está aberto o caminho para instalação de um tribunal de exceção no país”, disse o advogado criminalista Edson Lacerda.
Criminalistas também afirma que na Operação Lava Jato, as delações têm sido usados como instrumento de pressão contra investigados, principalmente na primeira instância da Lava Jato, de responsabilidade do juiz federal Sérgio Moro.
As Ações Declaratórias de Constitucionalidade que estão sendo julgadas nesta quinta pelos ministros do Supremo está sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. No início do ano, por 7 votos a 4, o Supremo admitiu a interpretação de que um réu condenado na segunda instância da Justiça comece a cumprir pena de prisão, ainda que esteja recorrendo aos tribunais superiores.
Sem demonstrar surpresa com o resultado da votação desta quarta (31) no Senado, o ex-secretário de Direitos Humanos de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Sérgio Pinheiro, definiu o desfecho do processo de impeachment como “um desastre para o Brasil”.
“Esse processo já está marcado desde o seu início, foi produto de uma conspiração palaciana e parlamentar. Estamos agora na mesma galeria de Honduras e Paraguai. É grotesco, porque não há nenhum crime de responsabilidade e isto foi provado pelo Ministério Público Federal”, disse.
“É um desastre para o Brasil. Um desastre que esse vice se torne presidente. Ele não se torna legítimo porque esse processo é totalmente ilegítimo. A crise política vai continuar, vai se agravar a tensão social, um governo totalmente antipopular, disposto a usar a lei antiterrorismo. Então, as perspectivas são as piores possíveis”, afirmou Pinheiro, que desde 1995 tem desempenhado diversas funções na Organização das Nações Unidas (ONU), entre elas, a de presidente da Comissão Internacional de Investigação para a Síria.
Para ele, a decisão ilegítima do impeachment diante da não comprovação de crime de responsabilidade é ainda agravada ao ser tomada por um Congresso sem autoridade moral. “Tanto na Câmara, onde tem dezenas de deputados sendo processados, o próprio líder do governo interino é processado por homicídio, quanto no Senado, onde quase a metade está submetida a processo criminal, é um parlamento sem qualquer autoridade moral para fazer qualquer impeachment, muito menos este que, a meu ver, é um golpe de estado. Boa parte dos mandatos destes deputados foi comprada por lobbies e grupos interessados, e eles são paus mandados deste apoio financeiro.”
Paulo Sérgio Pinheiro demonstrou não ter dúvida do que virá pela frente, a partir de agora, com a efetivação de Michel Temer na presidência. “Com esse Congresso, eles vão aprovar todas as pautas bombas e projetos retrógrados com relação às mulheres, às crianças, ao trabalho escravo, tudo vai ser aprovado. Vão ser políticas regressistas, reacionárias, conservadoras, discriminatórias, sexistas, machistas, esse é o futuro”, apontou.
Pinheiro acredita, porém, que a proposta de congelar os gastos públicos em educação e saúde por 20 anos terá dificuldade em ser aprovada. “Vai custar muito caro para este governo comprar estes votos. Mas o panorama é o pior possível, é retrocesso e repressão. Eu não tenho nenhuma expectativa em relação ao futuro.”
Sobre o papel do PMDB no processo de impeachment, o ex-ministro definiu como o “coveiro” da presidenta Dilma Rousseff. “Foram os coveiros da República. Nós hoje somos uma República de Bananas por causa do PMDB.” E apesar de não esperar grandes reações populares contrárias ao novo governo, refletindo que isto não faz parte da cultura da sociedade brasileira, Pinheiro acredita que é preciso cobrar o governo Temer e manter a mobilização dos setores mais organizados.
“Tem que haver uma cobrança implacável deste governo ilegítimo. Reforçar a sua ilegitimidade, fazer críticas de todos estes projetos retrógrados e que os setores organizados continuem a manter sua organização. Mas protesto na rua eu não vejo por ora. Em toda a minha vida, a resistência social ficou devendo, a não ser no Rio Grande do Sul, com a Campanha da Legalidade e a defesa da posse do Jango. Então, eu não aposto em resistência popular ao golpe de estado, não vejo nenhuma possibilidade."
Com relação ao papel do Supremo Tribunal Federal (STF) ao longo do processo, o ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV) definiu como uma “vergonhosa inação”. E embora defenda o recurso que a defesa de Dilma Rousseff anunciou que fará, disse não ter muita esperança. “Eu espero que o recurso tenha algum êxito, mas pelos movimentos letárgicos do Supremo em vários momentos, eu não vejo, diante desta celebração do golpe... eu não espero nada deste Supremo”, disse, lembrando ainda a posição omissa do STF no período do Estado Novo e durante a ditadura civil-militar. “Durante a ditadura eles ficaram quietinhos com a supressão do habeas corpus e se inclinaram ao domínio militar.”
Perguntado sobre as consequências do impeachment diante da divisão na sociedade, claramente exposta desde o processo eleitoral de 2014, Paulo Sérgio Pinheiro acredita que irá se agravar. “O Brasil é um país dividido. É um país racista, autoritário, desigual, com renda estupidamente concentrada, então é evidente que é um país dividido, antes e depois da eleição. Essa divisão só vai se agravar com esse golpe de estado.”
Sorrentino: PCdoB 2016, um projeto eleitoral que precisa de vitórias
O Projeto Eleitoral PCdoB-2016 tem algumas marcas importantes. Ele mantém as marcas de 2012, alcançando 2300 municípios, com 12 mil candidatos a vereadores. Entretanto, no caso destas disputas majoritárias o projeto é 40% maior que o de 2012: 330 candidatos a prefeitos e 357 a vice-prefeitos.
Por Walter Sorrentino*, em seu blog
Foto: Mídia NINJA
Trata-se de uma importante continuação da tendência em ampliar a base social-eleitoral dos comunistas no conjunto do país. Depreende-se desses dados que o PCdoB não retrocedeu, recolhe o fruto do seu papel destacado na resistência democrática contra o golpe e de sua relação profunda com os movimentos sociais do país.
O mais importante, definido politicamente pela direção nacional na construção do projeto, é a concentração nas disputas majoritárias nas grandes e médias cidades do país. O PCdoB disputará diretamente o voto de praticamente 20 milhões de eleitores. Candidaturas robustas foram apresentadas em cinco importantes capitais entre as 26 do país: no Rio de Janeiro, com a líder deputada federal Jandira Feghali, em Aracaju, com o ex-prefeito Edvaldo Nogueira; em Salvador, com a deputada federal Alice Portugal, em Florianópolis, com a deputada federal Angela Albino e em Belém do Pará, com o deputado estadual Lélio Costa.No total das cidades com mais de 200 mil eleitores, portanto com segundo turno eleitoral, incluídas as capitais, o PCdoB apresenta-se na disputa direta em 16 delas, 18% do total. Se consideradas as 304 maiores cidades do país, as que detém mais de 100 mil habitante e reúnem a substancial parte do eleitorado brasileiro, os comunistas disputam diretamente 10% do total, 35 cidades.
O projeto construído nacionalmente, tinha uma pedra de toque na política de alianças. Elas se deram no âmbito da tática política geral do PCdoB, considerando que a esquerda não pode nem deve se isolar, fechar-se em si mesma. Os pressupostos próprios para as alianças eleitorais levaram em conta que eleições locais exigem amplo domínio das realidades concretas locais, considerando que as legendas partidárias no Brasil têm diferentes caráter e feições nas diferentes regiões, Estados e cidades. É essencial constituir alianças para dar sustentação ao programa de governo em disputa para a cidade, programas centrados em maior qualidade de vida para todo o povo, equidade social e solidariedade nas relações entre os cidadãos e com a cidade.
Certamente, as alianças se realizaram para alcançar conquistas eleitorais efetivas. São eleições na base municipal, que constroem os pilares para as eleições nacionais de 2018. Além disso, mandatos comunistas são considerados como postos avançados de combate no rumo da estratégia política do PCdoB e colaboram com toda a esquerda política e social, mais as forças progressistas, para elevar a resistência à agenda ultraliberal imposta pelo governo ilegítimo alcançado mediante um golpe institucional.
Desse modo, consideradas as 92 maiores cidades citadas, em 18% há candidaturas próprias que arregimentaram múltiplas alianças, sendo que receberam o apoio do PT nas capitais de Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju, Florianópolis, entre outras. Em 25% outras são alianças em apoio a candidatos do PT, e o apoio a candidatos das demais legendas todas ficam abaixo de 10% do total das cidades.
No Projeto 2016 destacam-se algumas marcas qualitativas distintivas. Uma delas se confirma e fortalece: a força das mulheres comunistas na disputa. A Presidenta Nacional do partido e deputada federal Luciana Santos disputa na cidade de Olinda, que já governou por dois mandatos. Todas as demais deputadas federais já citadas são candidatas a cargos majoritários, acrescidas de Jô Moraes, candidata a vice-prefeita na importante capital Belo Horizonte, e a deputada federal Marcivânia, candidata em Santana, segundo maior município de seu Estado do Amapá. Dado o papel de líder do combate ao golpe no Senado Federal, a senadora Vanessa Grazziottin do PCdoB, não será candidata este ano, mas alcançou enorme repercussão em seu mandato. No conjunto do país, o PCdoB cumpre e supera a legislação que obriga a que 30% das chapas de vereadores sejam mulheres. No PCdoB, para valer, ultrapassam 33%.
Outra marca distintiva, aguardada com muita expectativa, é o projeto eleitoral 2016 no Estado do Maranhão, governado por Flávio Dino do PCdoB. O governador Flávio Dino, o primeiro comunista a governar um Estado, ostenta elevados índices de popularidade e apoio a seu governo, coisa rara no país hoje, e construiu-se lá a condição de maior partido político do Estado e maior projeto eleitoral dos comunistas no país: são 105 candidatos a prefeitos entre os 227 municípios do Estado, sendo 14 deles nas 30 maiores cidades maranhenses. Além disso, o Maranhão reforça as marcas alcançadas na região Nordeste do país, onde se destaca também a Bahia com um projeto arrojado.
As expectativas são de que entre os 60 prefeitos municipais eleitos em 2012, nos três maiores os comunistas confirmem nova vitória em Olinda, Contagem e Juazeiro, respectivamente em Pernambuco, Minas Gerais e Bahia. Demonstra assim ser um partido bom de governo, com quadros aprovados na gestão pública – como atesta, aliás, a recente realização das Olimpíadas no Brasil, demonstração cabal da capacidade política e administrativa dos comunistas, cuja gestão no Ministério do Esporte, desde a vitória de Lula em 2002, foi fundamental para a conquista e sucesso da empreitada.
Por todas essas metas alcançadas, a direção nacional considerou o resultado da construção do Projeto Eleitoral 2016 positivo nas condições dadas do país. É um bom projeto, progressivo para a realidade de forças do PCdoB. Tudo depende agora da campanha eleitoral mobilizadora, com largo apoio na base dos movimentos sociais, entre amigos, apoiadores, aliados e forças progressistas, recolhendo o prestígio e autoridade política demonstrados pelo PCdoB na luta contra o golpe, de amplo reconhecimento público. Não há campanha fácil para os comunistas, vai exigir superação que não prescinde do essencial: campanha de massas, campanha militante e sustentação material que deriva disso.
A vitória significará uma contribuição necessária para o fortalecimento e reconfiguração da esquerda brasileira, no sentido de representar o anseio da enorme resistência democrática ao golpe e disputar a agenda política no país contra o ultraliberalismo intentado pelo governo ilegítimo que assaltou a presidência da República. Será igualmente uma demonstração mais de que os comunistas são bons de luta e bons também de governo.
Do ponto de vista político nacional, os resultados destas eleições, além de modificar a base política que engendrará a disputa presidencial em 2018, terão um ponto concentrado nas disputas da capital de São Paulo e Rio de Janeiro. Pela magnitude delas, seu papel irradiador nacional e pela polarização política evidenciada na luta entre as forças democráticas e os golpistas, sem dúvida tais resultados serão os signos políticos dominantes na análise dos resultados. O PCdoB aí comparece, com sua própria legenda no Rio, com grandes expectativas, e no apoio à reeleição do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, cujo governo atual tem por vice prefeita um quadro comunista de destaque, Nádia Campeão.
Lideranças de Jaú falam sobre governo do presidente Temer
Dirigentes em Jaú dos dois partidos mais afetados pela cassação da ex-presidente Dilma Rousseff e pelo mandato definitivo do presidente Michel Temer comentaram ontem o novo momento político por que passa o País.
O presidente do PMDB, Geraldo Grizzo, acredita que a sentença do Senado foi “fundamental”. “Eu acredito que o Michel, neste momento, vai acabar com as crises que estamos vivendo, principalmente as crises política, social, moral e econômica”, aponta o dirigente. Em Jaú, o partido tem o maior número de filiados, a vice-prefeitura (Sigefredo Griso) e dois vereadores. Para Grizzo, conforme a coluna “De Fonte Limpa” informa hoje, a proximidade com Temer pode ter impacto positivo na gestão municipal.
O presidente do PT, Carlos Augusto Peres, afirma que o Brasil viveu “novo golpe de Estado”. “Lamento pela democracia brasileira e pelas políticas sociais que foram implementadas nos últimos 13 anos e que serão desfeitas por esse governo golpista”, comenta o representante petista. Ele defende que políticos que tenham cometido crimes sejam punidos, mas acredita que, no caso da ex-presidente, não havia provas de crime.
Depoimento
Michel Temer esteve com Sigefredo Griso e o prefeito Rafael Agostini (PSB), em Bauru, há quatro anos, onde gravou depoimento para a campanha à Prefeitura daquela época. Recentemente, já como presidente interino, recebeu a presidente da Câmara, Cléo Furquim (PMDB). Leia mais sobre o impeachment às páginas 13 e 14. (JGD)
Edison Ladeira propõe réplica de equipamentos turísticos do Rio; candidato diz que crise política é generalizada
Edison Ladeira: "Eu vou frisar no calçado. Faltou um pouco de apoio. O 8º Distrito Industrial não virou nada" BEATRIZ ZAMBONATO SANTOS
O candidato a prefeito Edison Ladeira (PT), 65 anos, quer implementar em Jaú estrutura turística semelhante aos mais famosos pontos do Rio de Janeiro – e já conheceu até área para efetivar seu projeto. O terceiro concorrente entrevistado pelo Comércio defende a revisão dos prédios tombados, a revitalização de espaços esportivos e a transferência da rodoviária para a área da antiga Companhia Jauense Industrial. No dia em que Dilma Rousseff foi cassada pelo Senado, Ladeira opinou que a crise política afeta todos os partidos.
A entrevista original tem 40 minutos e vai ser disponibilizada na íntegra na próxima semana no Facebook do Comércio (www.facebook.com/comerciodojahu).
Comércio do Jahu – Você é o único entre os candidatos que nunca tentou cargo público. O que o motiva a concorrer neste momento?
Edison Ladeira – Sou nascido e criado na cidade, sempre tive paixão por Jaú, conheço quase todos os atalhos da nossa cidade. Estou em uma idade avançada, 65 anos, sou o mais velho de todos e tenho mais oportunidade e tempo disponível.
Comércio – Como pretende conduzir sua campanha considerando o cenário de rejeição ao PT?
Ladeira – O PT está com rejeição muito grande, mas não é só o PT. Todos os partidos têm problemas. O próprio (Michel) Temer teve três ministros destituídos, fraude em todos os lugares. Eu escolhi o PT porque eu fui convidado pelo PT. Os outros não vieram.
Comércio – O PT era o partido do prefeito até setembro do ano passado. Muitos membros da administração eram do PT. Sua candidatura é de oposição?
Ladeira – Minha candidatura é de oposição a todos que são concorrentes meus. Distingo todos como concorrentes na política. Eu quero ser o prefeito de Jaú.
Comércio – Quais seus projetos para o desenvolvimento econômico?
Ladeira – Eu vou frisar no calçado. Faltou um pouco de apoio. O 8º Distrito Industrial não virou nada. A minha intenção é fazer que esse distrito saia o mais rápido possível, dividindo os lotes em termos de emprego. Muitos que deixaram as fábricas agora têm condições de montar uma indústria. Na medida em que vai aumentando o volume de terra que eles adquirirem, vai aumentando o número de funcionários. Também precisamos começar o 9º distrito, entre Jaú e Potunduva.
Comércio – Você pensa em rever o Código Tributário?
Ladeira – Isso é primordial, porque quanto menos despesas, mais a empresa vai se organizar. Na parte de impostos, quando fizermos a doação de lotes, vamos dar um incentivo fiscal.
Comércio – Como diversificar nossas vocações econômicas?
Ladeira – Eu pretendo transformar Jaú em uma das maiores cidades turísticas do Estado. Estive vendo e analisando a pedreira, e lá é um local que dá para fazer uma réplica do que temos no Rio de Janeiro, com bondinho. Desapropriaríamos e terceirizaríamos para uma empresa que queira montar. Até 2020 eu consigo fazer isso.
Comércio – Jaú tem em torno de 450 prédios históricos tombados. Você acha que esse inventário precisa ser revisto?
Ladeira – Precisa porque os bens tombados têm metade do imposto e continuam abandonados. São coisas que precisaremos batalhar, porque tem muita coisa irregular nesse sentido.
Comércio – No plano de governo há a necessidade de Jaú ter uma Guarda Municipal. Como esse serviço funcionaria?
Ladeira – Eu teria de pegar uma pessoa do ramo que ajude na montagem dessa guarda. Hoje, principalmente as escolas, estão sendo muito prejudicadas por falta de segurança. Todas as escolas têm problemas de roubo, de briga.
Comércio – Qual sua proposta para o funcionalismo público?
Ladeira – O funcionário público merece todo o respeito. Você tem que tratar o funcionário bem, porque ele vai agradecer e confiar em você. Jamais eu serei contra um reajuste da inflação. É impossível um funcionário público trabalhar sem ter o direito da inflação.
Comércio – Como funcionaria o Jaú sem Miséria, também previsto no plano de governo?
Ladeira – É dar valor para esse pessoal que está abandonado, pedindo nas esquinas. A Prefeitura tem que arcar com a responsabilidade de tirar esse pessoal da rua.
Comércio – Qual o papel que as entidades teriam na sua administração?
Ladeira – Entidade é primordial. Os presidentes e os diretores são abnegados. Eles cuidam muito bem dessa parte, tem que continuar, a gente tem que ajudar.
Comércio – O que você acha que pode melhorar no transporte público?
Ladeira – A empresa trabalha bem, tem suas falhas, mas trabalha bem. Ninguém é contra quem está aí, ninguém é contra quem é de fora, mas tem que ter concorrência. Outro problema do transporte: hoje nós temos em Jaú a melhor rodoviária do Estado, que fica no prédio da antiga Companhia Jauense, onde foram feitas duas exposições e está lá abandonado. O maior crime que cometeram foi colocar aquela estrutura metálica atrás da rodoviária. Outro crime: estragaram o cemitério de Jaú, fazendo os sepultamentos nas ruas (do cemitério).
Comércio – Por falar em cemitério, é uma prioridade do seu governo finalizar o novo cemitério?
Ladeira – Eu vou analisar tudo que ocorreu naquilo lá. Tem muito boato e eu quero saber o que aconteceu.
Comércio – Você acredita que é possível disputar as eleições de igual pra igual?
Ladeira – Muitos dizem que eu sou o mais preparado. Por quê? Porque eu vou ter o tempo integral na Prefeitura.