sábado, 10 de setembro de 2016

Consumado golpe, governo Temer fala em aumento da jornada de trabalho.

Brasil

Consumado golpe, governo Temer fala em aumento da jornada de trabalho


Lula Marques
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e TemerPaulo Skaf, presidente da Fiesp, e Temer
A medida é parte do plano de rasgar a legislação trabalhista, impondo o negociado sobre o legislado, em que o trabalhador vai “negociar” com o patrão as cláusulas do contrato. Será como colocar um franguinho para negociar com uma raposa se ela o devora ou não.

Com o aumento das manifestações pelo “Fora Temer” e a estrondosa vaia no Maracanã durante a abertura das Paraolimpíadas, Temer ficou irritado com a declaração do ministro e o efeito que a repercussão poderia causar, insuflando os protestos que aumentam a cada dia.

Para o governo, este tipo de declaração "precisa ser feita com muita cautela", com a devidas explicações, "para evitar erros de interpretação."

A saída de Ronaldo Nogueira foi dizer que a jornada iria aumentar para 12 horas, mas o “governo não vai elevar a jornada de oito horas, nem tirar direitos dos trabalhadores".

"Não tem nenhum risco de o trabalhador perder direitos constitucionais”, disse.

Como assim? O ministro explicou que padrão normal e legal continuará sendo o de oito horas diárias e 44 horas semanais, sem alterações para os trabalhadores. O que a reforma permitirá é que as convenções coletivas de categorias tenham a “opção de flexibilizar” a forma como a jornada será realizada, ou seja, o trabalhador vai trabalhar 12 horas sim.

Mas segundo o governo golpista de Temer, “a medida vai legitimar jornadas já adotadas”, como a compensação das horas do sábado em tempo extra em dias úteis e o modelo 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Na realidade, Temer vai aumentar a jornada de trabalho.

A grande contradição dessa proposta é que as centrais sindicais lutam justamente para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, seguindo uma trajetória mundial de redução da jornada por melhores condições de vida.

Para o deputado Valmir Assunção (PT-BA), a proposta do governo "é mais um golpe contra os trabalhadores brasileiros e atinge profundamente os direitos individuais".

"Isso é mais um absurdo desse governo interventor. Não podíamos esperar nada diferente. Temos de lutar para manter o 13º salário e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço [FGTS]. Com certeza serão os próximos direitos a serem atacados", disse o parlamentar.

Segundo Valmir, a medida não pode ser considerada isoladamente. “Foi para isso que os golpistas tomaram o poder, agora temos de resistir e seguir os mesmos passos de antes. Os movimentos sociais, populares e sindicais devem puxar para as ruas os protestos e continuar na luta para agora, não só manter os direitos como buscar por outros", completou.
 

Do Portal Vermelho, com informações de agências

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